
Vale lembrar também que a Renault está longe de ser uma casa organizada. A equipe que de Renault só tem o motor passa por dificuldades (saiba mais neste post), está entupida de empréstimos, e não tem o clima dos mais tranquilos.
Em uma F-1 sem testes durante a temporada, o que no futebol se chama de “falta de ritmo de jogo” é ainda mais sentido e prejudica o rendimento de qualquer um – ainda mais de um piloto que, na prática, nunca correu de F-1 pra valer. Prova disso são os exemplos recentes de pilotos que entraram no meio do ano. Grosjean, jovem demais, foi queimado. Badoer e Fisichella, esbanjando experiência, foram aposentados.
| Grosjean VS Alonso | Liuzzi VS Sutil | Alguersuari VS Buemi | Badoer/ Fishichella VS Raikkonen | Kobayashi VS Trulli | Heidfeld VS Kobayashi | |
| Pontos | 0 x 13 | 0 x 5 | 0 x 3 | 0 x 16/0 x 14 | 3 a 2 | 6 a 11 |
| Melhor result. | 13º x 3º | 11º x 4º | 14º x 7º | 14º x 1º/9º x 3º | 6º x 7º | 8º x 7º |
| Placar class. | 0 x 7 | 1 x 4 | 0 x 8 | 0 x 2/0 x 5 | 0 x 2 | 1 x 4 |
| Placar corrida* | 0 x 4 | 0 x 2 | 0 x 2 | 0 x 2/0 x 5 | 1 x 0 | 1 x 3 |
| Dif em class. | 0.497 | 0.416 | 0.804 | 1.974/0.773 | 0.864 | 0.326 |
| Abandonos | 2 (acidente/ quebra) | 1 (quebra) | 5 (2 acidentes/ 3 quebras) | 0/0 | 0 | 1 (acidente) |
*contabilizando apenas as provas que ambos completaram
Alguersuari estreou na F-1 substituindo Sebastien Bourdais na Toro Rosso a partir do 10º GP de 2009. O francês havia superado Buemi apenas uma vez em corrida. Os próximos a entrarem na berlinda, no GP da Europa, foram Grosjean, na Renault ao lado de Fernando Alonso, substituindo Nelsinho Piquet, e Luca Badoer, no lugar de Felipe Massa na Ferrari. O brasileiro tinha melhores resultados que Kimi Raikkonen em um carro em franca ascensão após um início pífio.
A performance de Badoer ficou abaixo da crítica e a Ferrari se viu obrigada a trazer Giancarlo Fisichella da Force India. Isso abriu uma vaga para Vitantonio Liuzzi ao lado de Adrian Sutil, que vinha perdendo na comparação com Fisico.
No ano seguinte, Nick Heidfeld fez as últimas cinco provas pela Sauber, após a demissão de Pedro de la Rosa, que havia sofrido com quebras e conseguido ficar nos pontos apenas uma vez. Com muita bagagem e fama de Sr. Consistência, foi o que se deu melhor na comparação direta com o então estreante Kobayashi. Não coincidentemente, foi chamado para tapar outro buraco no ano seguinte, justamente pela Renault, e não correspondeu.
O próprio Kobayashi havia surpreendido nas duas corridas que fez em 2009, substituindo o machucado Timo Glock. Mostrou seu cartão de visitas, ultrapassando inclusive o então recém-coroado campeão do mundo Jenson Button. Ainda assim, levou mais de 0s8 em média na classificação.
Liuzzi foi outro que não fez tão feio na comparação com Sutil. Mas a tendência continuou em 2010 e acabou o tirando da Force India 1 ano e meio depois da chance inesperada.
Já Alguersuari é um caso especial: 8 décimos em média na classificação e cinco abandonos em oito oportunidades deixariam qualquer chefe de equipe de cabelo em pé, mas o espanhol tinha então 19 anos, era piloto da casa e atual campeão da F-3 Inglesa. Não tinha como ser descartado de imediato.
O fato é que, caso Bruno tenha a chance de fazer uma sequência de corridas, não seria crime tomar meio segundo de Petrov logo de cara. O russo pode não ser um Hamilton da vida, mas também não é o “pagante-padrão” do ano passado. O importante seria evoluir, mostrar consistência. Se der para ser a primeira Renault a cruzar a linha de chegada, melhor.