Aquele mesmo jogo de equipe sujo e fora do regulamento volta às manchetes alguns meses depois. Parece que, a duas corridas do fim, ele se torna esportivo e até necessário. E, mais uma vez, danem-se as regras. Agora Eddie Jordan, por exemplo, chama de burrice a McLaren não apoiar Hamilton e a Red Bull não focar em Webber.
McLaren: Button precisa acelerar para ajudar
No caso do time de Woking, a decisão é óbvia, pois Button, 42 pontos atrás e sempre andando menos que os rivais, precisa que uma catástrofe aconteça, e não com um, mas com 4 concorrentes. Mas o quanto ele poderá ajudar?
Desde o GP da China, a 4ª corrida do ano, raramente tem andado na frente de Hamilton – apenas em Monza (quando o companheiro errou no setup) e no Japão (quando Lewis perdeu cinco posições no grid por trocar de câmbio). Então é pouco provável que possam trocar de posição.

Tirar pontos do rivais? Desde as dobradinhas do Canadá e da Turquia, quando a McLaren parecia bem próxima da Red Bull – mais uma vez excetuando-se Monza – ele não consegue fazer isso.
Parece que, mesmo com toda a boa intenção do mundo, Lewis, a 21 pontos do líder e com o 3º melhor carro no momento, está sozinho nesse barco. Sua posição, apesar da diferença na tabela ser consideravelmente menor, é muito diferente da de Kimi em 2007. Sua McLaren não possibilita que o inglês brigue de igual para igual com Ferrari e Red Bull, e ele não vem em grande fase: desde que venceu na Bélgica, cometeu erros em todos os finais de semana, talvez pela obrigação de andar mais que o carro.
Red Bull: A tentação de manter Vettel na briga
A equipe com o melhor carro disparado de todo o ano, exceto Canadá e Itália, parece que não cansa de desperdiçar oportunidades. É um histórico que faz com que seja difícil imaginar, apesar do rendimento do carro permitir, que eles façam duas dobradinhas e tenham uma caminhada tranquila rumo ao título.
Não é segredo a preferência por um título de Vettel. E é o alemão que está num momento melhor. Desde a besteira da Bélgica, colocou-se como azarão e passou a andar mais que Webber – só se classificou atrás em Monza e chegou na frente em todas.
Contudo, Vettel não depende de suas forças, ao contrário de Webber. Explicando, se o australiano vencer no Brasil e em Abu Dhabi e Alonso for o 2º, ganha o título por 3 pontos. Mas seria esse um motivo para haver ordens de equipe, tendo em vista os altos e baixos da equipe na temporada? Será que não seria mais inteligente manter as duas cartas no baralho no Brasil, no caso de outra catástrofe como da Coréia acontecer?
Parece ser essa a postura da equipe, até para manter seu menino prodígio na briga. Uma dobradinha com Vettel à frente e Alonso em 3º diminui a diferença para 15 pontos (Webber ficaria a 8). Pela pontuação atual, a única troca de posições que dá uma vantagem considerável nos pontos é pela 1ª posição. Alguém vê Vettel, ainda com chances de título, entregar para Webber no Brasil?
Mesmo com a dobradinha “invertida”, ambos iriam para a briga em Adu Dhabi. O problema de apoiar Vettel é que, mesmo ganhando ambas as corridas, Alonso continua na frente com um 3º e um 4º lugares, o que é muito possível.
Por outro lado, uma quebra ou acidente e um dos 3 perde 25 pontos, então o raciocínio de não priorizar agora faz certo sentido. E vem bem a calhar para o raciocínio do time. Mas é arriscado.