Julianne Cerasoli

Jogo de xadrez

image22.img.640.medium

Uma das coisas de que mais gosto da cobertura da Fórmula 1 é que você sempre tem a certeza de que não viu de tudo. Isso, no comportamento e soluções encontradas pelos dirigentes, e também nos detalhes mínimos que acabam fazendo muita diferença durante as corridas. E é um deles que quero dividir com vocês hoje.

Nico Rosberg fez a pole no GP do Japão, e foi ultrapassado na segunda curva por Lewis Hamilton. O alemão pareceu ter saltado melhor no que é conhecido como a primeira fase da largada, quando a primeira embreagem é liberada, mas pareceu perder fôlego quando soltou a segunda embreagem, alguns metros depois.

Após a prova, a Mercedes reconheceu que esse fôlego a menos deveu-se a uma queda de potência causada pelo aquecimento acima do ideal do motor. Em outras palavras, seria culpa de  Nico, que não teria preparado bem o carro em sua volta de apresentação, dando a chance para Hamilton se aproveitar.

Mas será que foi isso mesmo?

Revendo a volta de apresentação para o GP do Japão, percebe-se que Hamilton atrasou o pelotão, abrindo uma boa distância para Rosberg no final da volta. Com isso, o alemão ficou alguns segundos a mais em uma posição bastante crítica para os carros de F-1, que trabalham no limite em todos os aspectos: parado no grid, perdendo temperatura nos pneus e freios – e superaquecendo o motor.

Foi a tática de Hamilton, que dizem só correr com o coração, que permitiu o ataque e a ultrapassagem que definiu a prova.

Duas semanas depois, na Rússia, Rosberg não deixou o filme se repetir. O final da volta de apresentação do alemão foi tremendamente lento, lembrando que, a partir do momento em que o Safety Car entra nos boxes, cabe ao líder ditar o ritmo do pelotão. Assim, todos os ponteiros ficaram parados no grid mais ou menos pelo mesmo tempo.

Com isso, em Sochi, não teve motor superaquecido na Mercedes, mas quem acabou pagando o preço foi Vettel, que não conseguiu fazer todos os burnouts de que necessitava para colocar temperatura nos pneus e freios, uma vez que a Ferrari trabalha melhor com um nível de temperatura mais alto do que a Mercedes.

Esse jogo de xadrez da volta de apresentação, aliás, foi uma especialidade trabalhada à perfeição por Vettel nos anos de domínio da Red Bull. Mais um detalhe para ficarmos atentos antes mesmo das luzes vermelhas se apagarem no GP dos Estados Unidos.

Sair da versão mobile