Julianne Cerasoli

Lá se vai a vantagem

1433614635

O GP do Canadá nem se compara em termos de reviravoltas e acontecimentos em relação aos dramas das últimas corridas, mas nem por isso deixou de mostrar algumas coisas interessantes. Até depois da bandeirada.

O que parecia um discurso vazio de Maurizio Arrivabene há duas semanas acabou se confirmando em Montreal: de fato, vimos uma nova Ferrari no Canadá. Mudanças no carro e no motor deram resultado e, mesmo com a pista fria neste final de semana, Sebastian Vettel conseguiu colocar o carro onde merece no grid e só não venceu por um erro estratégico baseado em simulações que apontavam um desgaste maior dos pneus. Os ultramacios, inclusive, ainda precisam ser melhor compreendidos por várias equipes, sendo a Ferrari uma delas.

Mas o alemão foi muito inteligente ao brincar com os pássaros que ele fritou os pneus para evitar, posando de defensor dos animais só para evitar criticar a tática do time. De fato, não era a hora para isso. Vendo a evolução, o tetracampeão está pensando a longo prazo.

O mesmo talvez não se possa dizer de Rosberg. O alemão tem corrido com o regulamento do gol fora de casa na mão. Mesmo que ainda estejamos no que seria o primeiro tempo da partida de ida. Podemos supor que ele sente o fato de ter construído sua vantagem não por erros de pilotagem de Hamilton, mas mais por problemas técnicos. E, nesse caso, não ajuda em nada o fato da diferença ter caído de 43 pontos para nove por sua péssima atuação na chuva em Mônaco e por uma tarde atrapalhada em Montreal, ainda que o alemão não possa ser culpado pelo resultado ruim desta vez. Afinal, Hamilton, como de costume, foi duro na primeira curva e Nico não tinha para onde ir. Depois, o pneu furado atrapalhou sua recuperação e a grande necessidade de economizar combustível em um GP do Canadá sem Safety Cars impossibilitou um ataque mais decidido em cima dos rivais.

Do lado de Hamilton, sua confiança não poderia estar mais em alta. Sabendo que teve pouco a ver com a perda de pontos no início do ano, o inglês manteve a tranquilidade e usou a boa gestão de pneus, um ‘update’ que tem cultivado nos últimos anos, para igualar as coisas. Trata-se de um bom momento para começar uma sequência forte: a Fórmula 1 começou em Montreal uma maratona de seis corridas em oito semanas e talvez antes mesmo que perceba Rosberg pode ver sua vantagem virar pó.

No mais, a tal atualização milagrosa da Renault acabou devendo parte do meio segundo prometido, enquanto foi interessante observar o ritmo da Williams semelhante ao da Red Bull e de Raikkonen mesmo que seus pilotos estivessem comprometidos em fazer uma parada a menos. Isso, mesmo sem a configuração de baixo downforce que o time preparou para Montreal – e com o qual Massa encontrou o muro logo em suas primeiras voltas.

Outro sinal positivo veio da McLaren. Sim, ouvimos Alonso pedir para abandonar por estar fora da zona de pontuação, frustrado por ter de andar devagar por estar na estratégia de uma parada. Mas o espanhol tem de lembrar que o vimos no top 10 por todo o final de semana em uma pista em que isso seria inimaginável há alguns meses – não apenas pela questão da potência, mas principalmente pela necessidade absurda dos motores Honda economizarem combustível e sua incapacidade de recuperar energia. Certamente todo o processo tem sido muito mais lento que a ‘experiência’ de seus pilotos permite, mas ele está chegando.

Não há muito tempo para digerir o Canadá, contudo. Enquanto escrevo estas linhas, grande parte do equipamento das equipes já está empacotada, em um esforço que começou logo depois da largada. A quase 9.000km daqui e 8h na frente no fuso horário, veremos se as novas tendências de Montreal vão ser a regra daqui em diante.

Sair da versão mobile