Parece que faz séculos: há um ano, estávamos em meio a um turbilhão de reclamações após Fernando Alonso vencer o GP da Espanha com quatro paradas nos boxes. Depois que Nico Rosberg ganhou em Mônaco confortavelmente com dois pit stops, a conversa perdeu um pouco de força até estourar, literalmente, em Silverstone.
Agora, os “inimigos” são outros. Deu o que falar em Barcelona a pouca diferença entre os tempos de carros de GP2 e de F-1 na classificação. A pole de Richelmi foi 5s mais lenta que a de Lewis Hamilton, mas o piloto da DAMS conseguiria colocar seu carro à frente das nanicas, em 18º no grid, desconsiderando punições.
Ano passado, a pole da GP2 foi meio segundo mais rápida que neste ano, enquanto a da Fórmula 1 foi 4s5 mais rápida. A “lentidão” dessa geração de carros híbridos seria sua sentença de morte?
Observando os tempos das poles dos últimos oito anos em Barcelona, circuito que mostra bem o desenvolvimento aerodinâmico dos carros e não contou com classificações na chuva no período, percebemos algumas flutuações nos tempos de volta. Os pneus, vale lembrar, influenciam muito no tempo de volta, basta comparar a alta dos tempos entre 2010 e 2011, quando o regulamento ficou relativamente estável e foi abordagem da borracha que se tornou mais agressiva, com a mudança dos “longa vida” Bridgestone para os Pirelli.
Quanto aos diferentes regulamentos, observa-se que os tempos caíram após a última grande revolução, em 2009, que teria servido para retirar boa parte da pressão aerodinâmica dos carros e, consequentemente os tornariam mais lentos. Mas, ao considerar legal o difusor duplo da Brawn, a FIA jogou todo seu esforço fora.
Este ano é a primeira oportunidade em que temos um regulamento efetivamente diferente e os pneus, bem mais duros, têm sua parcela nessa “lentidão”. Para o ano que vem, espera-se uma abordagem mais agressiva da Pirelli e um desenvolvimento natural dos carros/unidades de potência. Mas me surpreenderia muito se esse combo significar 4s5 de rendimento.
Claro que o tamanho das críticas tem a ver com a expectativa gerada pela mudança de regulamento e pela consequente frustração com o campeonato que estamos tendo. Apesar de ter acontecido o prometido chacoalhão no grid, ele acabou resultando em um domínio maior do que o que tínhamos com a Red Bull. E, apesar de muito ter mudado na abordagem das equipes devido às novas tecnologias, pouca coisa é perceptível ao grande público. Na verdade, toda vez que tivemos batalhas interessantes na pista, elas aconteceram por estratégias diferentes de pneus. Nada de novo, portanto.
Para piorar, há dois fatores que mexem com a sensação de “topo do esporte a motor” que move a Fórmula 1: a falta de barulho (que não desagrada a maioria, de acordo com as pesquisas, mas tem uma oposição ruidosa) e os tempos de volta bem mais lentos. Mas isso é o de menos. O grande problema do atual conjunto de regras é o preço, literalmente, que está sendo pago por uma categoria que, esportivamente, não ficou mais atraente.
Ninguém duvida que deixar para trás tecnologias já obsoletas e adotar um perfil mais ativo na criação de soluções para problemas do mundo real automobilístico é um bom caminho, mas talvez tenha sido um passo grande demais em um momento economicamente desfavorável.