
Há quem diga que a Mercedes corre contra si mesma neste final de semana, na Malásia, tamanha sua vantagem em relação aos rivais demonstrada na etapa de abertura do campeonato, na Austrália. Mas isso está longe de resolver a fatura em Sepang – e ecos do que aconteceu há um ano podem atormentar Toto Wolff e companhia no pitwall da equipe.
No GP da Malásia de 2013, que acabou ficando famoso justamente por um jogo de equipe mal gerido pela Red Bull, Lewis Hamilton e Nico Rosberg correram próximos durante boa parte da prova, sem ritmo para chegar em Mark Webber e Sebastian Vettel e monitorando o desgaste de pneus e o consumo de combustível de modo que não eram alcançados por quem vinha atrás.
Estava tudo controlado pelo então chefe Ross Brawn quando, nas voltas finais, ficou claro que Rosberg, quarto, tinha mais ritmo que Hamilton, terceiro. Os dois, inclusive, chegaram a trocar posições enquanto o alemão argumentava via rádio que poderia ser mais rápido. Isso porque havia poupado mais combustível durante a prova. Por outro lado, Brawn dizia que Hamilton estava sendo instruído a economizar naquele momento e que Rosberg não deveria atacá-lo. Era a segunda corrida do inglês na equipe em que o alemão está desde 2010 e, para muitos, aquela decisão deixou claro quem era considerado o número 1.
Rosberg acabou acatando a decisão, mas avisou: “Não vou esquecer disso, Ross”. E tudo indica que, neste ano, ele terá a chance de comprovar suas palavras. Na Austrália, o então pole Hamilton teve uma falha no motor e nos privou da única briga possível pela vitória, mas como será o desfecho na Malásia?
Uma parte importante da vitória de Rosberg em Melbourne foi a possibilidade do alemão dosar seu carro. O alemão só acelerou pra valer nas primeiras voltas após a largada e a relargada – tanto, que fez a melhor volta no 19º giro, com o carro ainda pesado. Com tantas novidades no carro, a equipe preferiu somente fazer o necessário para vencer.
No caso de ambos os pilotos estarem na prova, o princípio deveria ser o mesmo. Provavelmente haverá uma definição prévia do tipo “quem sair na frente após a primeira parada vence” para evitar que os pilotos briguem entre si e acabem ficando pelo caminho – lembrando que o temor por quebras é ainda maior no calor malaio.
Difícil é imaginar Hamilton, piloto que não cansa de repetir que corre com o coração e que não costuma pensar duas vezes antes de ir para cima, desistir de uma vitória sem lutar. Ainda mais quando já tem um déficit de 25 pontos no campeonato por algo que fugiu ao seu controle. Rosberg tem personalidade diferente, mas não pode deixar o companheiro sugar seu espaço, ainda mais com um canhão nas mãos e grandes chances de conquistar um título. E não é mais Brawn que está no pitwall, e sim Wolff, que demonstrou competência em diversas áreas até aqui, mas nunca enfrentou uma situação dessas. Com estes ingredientes à mesa, quem sabe o GP da Malásia de 2013 não pareça mais uma lembrança distante.