A Ferrari dispensou Raikkonen dizendo que precisava de um líder dentro do cockpit. Pode não ser toda a verdade por trás da saída do campeão de 2007, mas faz certo sentido se lembrarmos o salto de qualidade durante os anos de Schumachercentrismo – e serve para entender a confiança de Ross Brawn e cia. no que Michael ainda pode contibuir com a Mercedes.

De certa forma, a Scuderia se moldou em torno do piloto, que, quando se aposentou, deixou uma lacuna. Ao sentir a necessidade de contratar o finlandês após a saída de Michael e, 3 anos depois, de substituí-lo por Alonso, a Ferrari deixou claro que nunca acreditou que Massa pudesse ocupar esse espaço. O papel caberia, então, ao espanhol.
Pelo menos nesse 1º ano, o retorno foi garantido. A liderança de Alonso ficou clara em alguns momentos e implícita em outros.
Claríssima quando o piloto percebeu uma alteração no motor na classificação em Cingapura e pediu para que analisassem a telemetria. Ao ouvir do engenheiro, em meio a sua volta rápida, que precisaria voltar ao pit para reprogramar o propulsor, avisou calmamente que primeiro marcaria o tempo.
Implícita pela forma como um carro sobre cujo desenvolvimento ele teve pouquíssima inflência foi se desenvolvendo ao longo do ano a seu gosto.
Cusiosamente, no entanto, na última prova, a Scuderia cortou as asas de Alonso ao não avisá-lo que voltaria do pitstop atrás de dois carros que não parariam mais – só o fizeram depois da parada. Algumas voltas antes, ele exercera seu papel, sugerindo que tentassem marcar a parada de Webber usando Massa ao mesmo tempo que guiava um F1.
Essa é uma das qualidades que o líder dentro do cockpit deve ter: visão global da corrida e do campeonato, mesmo trabalhando com as poucas informações que tem à disposição. Tudo isso, como se não bastasse, a 200km/h. Ser político dentro do time também conta muitos pontos, tanto quanto envolver-se nas questões técnicas.
Mas isso tem seu lado negativo, é claro. Permitir que um piloto, que disputa o campeonato com seu próprio companheiro, coordene as ações da equipe é pedir para que ele aja de acordo com seus próprios interesses. E que vai pagar o pato está logo do outro lado da garagem, como bem viu Felipe Massa no GP da Alemanha. Ao ceder à pressão de Alonso para inverter as posições – mesmo que esta também fosse a vontade da equipe – a Ferrari escancarou os limites de até onde seu líder pode chegar.