‘Mulher ao volante, perigo constante’. ‘Vai pilotar fogão!’
Em um dos raros esportes em que homens e mulheres podem competir juntos, é como se eles fizessem um favor para que elas dividam as pistas. Como aquelas crianças que invadem as brincadeiras dos maiores e viram ‘café com leite’.
Foi o que Susie Wolff sentiu na pele nessa semana durante os testes de pré-temporada. Piloto de testes da Williams, ela se envolveu em um acidente com Felipe Nasr sob circunstâncias que não ficaram bem claras, devido à falta de imagens. E viu toda a admiração por ser a primeira a pilotar um carro da categoria em sessões oficiais em mais de 20 anos virar uma chuva de críticas.
A presença da piloto tem a ver com a tentativa de fomentar a participação feminina. Porém, assim como em qualquer meio, é da quantidade que sairá a qualidade e o número de mulheres envolvidas no esporte ainda é tímido.
Contudo, o problema dessa situação é que, como piloto, Susie é fraca. Não fez nada em sua carreira, predominantemente calcada em carros de turismo para justificar um lugar na Fórmula 1. Observando sua tocada, fica claro que ela nem de longe explora os limites do carro. Está na Williams, claramente, por ser esposa de um dos acionistas da equipe, Toto Wolff, homem que ganhou poder da categoria nos últimos anos ao acumular seu papel no time de Grove à direção na Mercedes.
Porém, assim como a escocesa, são inúmeros os pilotos que chegaram à F-1 mais por obra dos interesses comerciais do que pelo talento em si. E isso não é de hoje – Taki Inoue e Pedro Paulo Diniz, para ficar em alguns exemples, que o digam. É só lembrar que, no final de 2014, a falida Caterham recrutou Will Stevens, piloto endinheirado que venceu apenas cinco provas em todos os seus 8 anos de carreira no automobilismo. Quando o inglês entrou em uma disputa com Fernando Alonso, o espanhol perguntou, irritado, via rádio: “Quem é esse?”. Ouviu do engenheiro que se tratava do “garoto novo”. E respondeu: “Ele tem muito a aprender. Muito.”
É nesse grupo que a questão de Susie tem de entrar. Trazer dinheiro ou patrocínio não é crime nenhum, mas conseguir uma vaga apenas por interesses comerciais, sem mostrar serviço na pista, é.
Susie não merece estar na Fórmula 1. Especialmente em uma equipe que tenta voltar a ser grande, como a Williams, e não pode desperdiçar tempo de pista apenas por razões comerciais, possíveis acordos com seu acionista ou mesmo pelo interesse que existe em trazer mulheres para a categoria.
E isso não é uma questão de gênero.
Coluna publicada no jornal Correio Popular
