Julianne Cerasoli

Mad Max?

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Novo demais para beber champanhe no pódio. Novo demais para dirigir de volta para o hotel após uma prova. Mas, para o mesmo homem que tem entre seus protegidos Sebastian Vettel, Daniel Ricciardo e Daniil Kvyat, Max Verstappen está pronto para a Fórmula 1, não apenas com 17 anos (que vai completar em setembro), como também com só um ano de experiência em monopostos.

Os ingleses dizem que, se você é bom o bastante, então também é velho o bastante. Mas é inegável que o salto de Verstappen é gigante e sem precedentes. O holandês vai pular de um carro com 240 cavalos para outro de 720, e terá de se preparar para corridas cerca de três vezes mais longas do que está acostumado – o limite da Fórmula 3 é de 100km ou 35min, enquanto da Fórmula 1 é de 300 + uma volta ou 2h. Isso sem contar nos complicados sistemas que terá de gerir.

Para se preparar para tanto, Verstappen provavelmente passará muitas horas no simulador, participará de algumas sessões de testes privados e treinos livres, ainda que não tenha ficado claro qual o plano da Red Bull para lhe dar os 300km com supervisão da FIA necessários para adquirir a super licença.

O cenário, em teoria, não é dos mais favoráveis. Porém, a justificativa de Marko para a escolha de Verstappen – além das qualidades óbvias do piloto – é a rápida adaptação de outra aposta que lhe rendeu críticas: Daniil Kvyat. Porém, apesar de ser bastante jovem, o russo chegou com um currículo mais de três vezes maior do que o holandês terá ao final do ano.

Por outro lado, o atual grid da Fórmula 1 tem alguns exemplos interessantes. Jenson Button fez um ano de Fórmula Ford (e foi campeão) e um ano de Fórmula 3 Inglesa (melhor estreante) antes de estrear na Williams. Kimi Raikkonen tinha feito 23 corridas em monopostos (e de Fórmula Renault!) antes de estrear na F-1 – e com super licença provisória. Ambos viraram campeões do mundo mesmo tendo queimado algumas etapas.

Outro fator importante a observar é que a própria escolha de Verstappen de começar nos monopostos com a F-3 já foi ousada, e vem pagando dividendos para o atual vice-líder do campeonato.

É um grande desafio, sem dúvida. Mas não é impossível que Verstappen alinhe no GP da Áustrália em um bom nível. E, quando se trata de uma decisão tomada pelo mesmo homem que “descobriu” o atual tetracampeão, a atual sensação e o atual melhor estreante da Fórmula 1, é melhor ao menos dar o benefício da dúvida para o adolescente.

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