Julianne Cerasoli

Mais uma aberração

Motor Racing - Formula One World Championship - Hungarian Grand Prix - Race Day - Budapest, Hungary

O plano estaria convalescendo por não agradar a Bernie Ecclestone, mas a adoção de relargadas com os carros alinhados no grid ainda precisa de votação entre as equipes para ser jogada no lixo. Mais uma regra que não agrega nada esportivamente e levaria a Fórmula 1 um passo mais perto da loteria. Ou seja, mais um exemplo de como a categoria vem criando problemas onde não é necessário mexer.

 

O GP da Hungria deixou claro para todos como esse tipo de “relargada parado”, emprestando a expressão usada em inglês, pode ser perigosa. Imaginem vocês como seria largar com pneus slick, frios, em uma pista que ainda não havia secado completamente? É no mínimo um despropósito para uma categoria que às vezes beira a chatice tamanha a neura em busca da segurança – como vemos nas duríssimas penas por unsafe release nos boxes.

Os pilotos – que, como sempre, não foram consultados – explicam que o grande problema é que não é possível determinar quando será o Safety Car. Ou seja, caso a regra não permita troca de pneus, é possível que a relargada seja feita com compostos desgastados. E, quanto menos borracha um pneu tem, menos temperatura ele consegue manter e, consequentemente, menor a aderência.

E há também a questão do custo. Sim, até uma segunda largada gera mais custo na Fórmula 1, pois seria necessário melhorar todo o sistema de largada, principalmente em relação à unidade de potência. Mais um investimento que pesa no bolso e não leva a muita coisa. “Seria um desafio para os engenheiros e encontraríamos uma solução. Mas é um desafio técnico bom para a Fórmula 1? Provavelmente não”, admitiu Rob Smedley.

Questionável em termos esportivos e técnicos, a relargada com os carros parados deve entrar no hall de ideias furadas. Porém, enquanto perde-se tempo com esse tipo de proposta que nada agrega, questões fundamentais, como a queda de audiência – muito mais ligada à forma obsoleta como o produto é vendido do que sua qualidade em si – e um modelo de gestão insustentável, vão matando a Fórmula 1 aos poucos.

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