Julianne Cerasoli

Menos confetes, mais títulos

alonso

Fernando Alonso completa mais um ano de vida hoje, seu 33º, vangloriado por mais uma série de elogios vindos de gente do paddock, de jornalistas, esportistas de outras modalidades e fãs após outra performance irretocável no GP da Hungria. Mas colecionar comentários positivos, por mais que sejam orgulhosamente exibidos em sua conta do twitter, não dá ao piloto pontos no campeonato ou lhe garante títulos. E ninguém sabe disso mais do que o próprio espanhol.

É impressionante a capacidade de Alonso de andar bem sob as mais variadas condições. Houve poucos momentos em sua carreira em que parecia não conseguir se adaptar rapidamente, como na mudança dos pneus Michelin para os Bridgestone no começo de 2007, ou, voltando ainda mais no tempo, na primeira metade de 2004.

Fora isso, o espanhol foi campeão com os V10 e V8 em tempos de testes fartos e muito desenvolvimento, disputou título até a última prova com motores restritos e aerodinâmica dominante, com e sem reabastecimento, com pneus de pouco ou alto desgaste, etc. Com uma tocada agressiva, mas ao mesmo tempo uma inteligência incomum para gerir corridas, e muita  constância, por mais que não tenha a simpatia de muitos por questões extra-pista, Alonso já pode ser considerado um dos melhores da história da Fórmula 1.

Não é uma questão de andar mais que a máquina, pois isso não é Fórmula 1. Em qualquer corrida de carros, o que o piloto pode fazer está limitado pelo que seu equipamento é capaz – e na categoria máxima do automobilismo isso é ainda mais claro porque há construtores distintos. Portanto, o que podemos dizer de Alonso é que, especialmente nestes últimos anos na Ferrari, mais maduro, o limite tem sido consistentemente o carro, e não ele.

Os números estão aí para comprovar isso. Nesta temporada, o melhor resultado do único piloto a pontuar nas 11 provas até aqui é um segundo lugar. Seu pior, um nono. Na média, quinto. Por outro lado, na maioria dos GPs, a Ferrari, carro cujas reações, algo reconhecido pelos próprios engenheiros da equipe, são difíceis de prever, esteve atrás de Mercedes, Red Bull e Williams. Junto do time italiano, dependendo da pista, estão Force India e McLaren. Ou seja, quando um dos seis pilotos que deveriam estar na sua frente tem qualquer contratempo, Alonso se certifica de que é sempre ele quem vai se aproveitar. Na atual situação, não pode fazer mais do que isso.

Mas esta é uma situação que o aniversariante do dia não tem mais tempo de manter. Há quem garanta que o espanhol estaria livre de seu contrato se a Ferrari não ficar no top 3 do campeonato de construtores – e a chance disso acontecer é bastante significativa. E o bicampeão, que tomou algumas decisões equivocadas na carreira, teria outra escolha difícil. Apostar que a Ferrari pode aprender com os erros e evoluir seu motor em 2015? Jogar as fichas na parceria da McLaren com a Honda, ainda que o time inglês esteja mal das pernas já há algum tempo? Ou tentar alguma equipe com o motor Mercedes, indo para a Williams ou esperando até 2016 pela possível vaga de Hamilton?

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