Julianne Cerasoli

Mercedes, com um pé nas costas

Motor Racing - Formula One World Championship - Australian Grand Prix - Race Day - Melbourne, Australia

Os quase 25 segundos de vantagem de Nico Rosberg para seu rival mais próximo na prova de abertura da temporada 2014 da Fórmula 1, na Austrália, deram a medida da supremacia da Mercedes neste início de ano. Ainda que a diferença de rendimento não seja tão grande como alguns dos rivais temiam – o chefe da Red Bull, Christian Horner, chegou a prever que os carros prateados venceriam com duas voltas à frente – a corrida de Melbourne deixou claro que as demais equipes precisam correr atrás do prejuízo.

“O ritmo da Mercedes não me surpreendeu, sabíamos que eles eram fortes”, afirmou Felipe Massa, da Williams, que abandonou logo na largada após ser abalroado pelo japonês Kamui Kobayashi. “A gente acreditava que eles tinham segurado um pouco no [teste de pré-temporada no] Bahrein e, por isso, fizemos praticamente o mesmo tempo. Sabíamos que eles estariam na frente quando chegássemos aqui”, disse o brasileiro, que foi o mais rápido dos testes, dois décimos à frente de Hamilton. “A corrida também mostrou uma Red Bull forte. Talvez, quando eles solucionarem os problemas com o motor, vai ser um carro que estará brigando. A McLaren também mostrou que tem um carro bom. Mas a corrida mostrou ainda que nós temos carro para estar brigando com eles, tirando a Mercedes.”

O brasileiro se refere ao desempenho do companheiro, Valtteri Bottas, que mesmo com um erro que lhe fez ir para o fundo do pelotão, conseguiu se recuperar para ser o quinto. “Isso é positivo, independente da minha corrida ter sido muito negativa”, avaliou.

O único porém da prova da Mercedes, destacado pelo próprio Rosberg, é em relação à confiabilidade do carro. Largando da pole position, seu companheiro, Lewis Hamilton, perdeu duas posições logo de cara. O inglês já sabia antes mesmo de alinhar no grid que pilotaria com um cilindro a menos em seu motor e acabou sendo instruído a parar sua Mercedes para poupar o equipamento. Nesta temporada, os pilotos têm apenas cinco unidades de potência para usar durante o ano. “Certamente é um fato que não estamos 100% ainda. A equipe fez um grande trabalho para fazer meu carro funcionar muito bem na corrida, mas ainda há muito a ser feito. Houve várias mudanças no carro durante o final de semana e não quero mais fazer isso”, alertou o vencedor.

Dois fatores chamaram a atenção: Rosberg completou o GP em 1h32, dois minutos mais lento que Kimi Raikkonen ano passado – se por um lado a prova deste ano teve uma volta a menos, em 2013 não houve Safety Car. E, mesmo que praticamente todas as equipes tenham tido um desafio ou outro ao longo do final de semana, a confiabilidade também surpreendeu: foram apenas cinco abandonos por quebras, mostrando aos alarmistas que não se deve duvidar da capacidade dos engenheiros da Fórmula 1.

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