Julianne Cerasoli

Mercedes melhor que em 2014 e Williams sentindo o golpe

No último GP de 2014 parecia que as coisas seriam bem diferentes
No último GP de 2014 parecia que as coisas seriam bem diferentes

Quando chegamos à metade da temporada passada, o cenário não era tão diferente: a Mercedes dominava, mas havia perdido duas corridas em dias nos quais tomou decisões erradas ou foi pega de surpresa pelas condições. Porém, ainda assim liderava com extrema facilidade, somando 393 pontos contra 219 da Red Bull, 142 da Ferrari e 135 da Williams, que naturalmente viria a crescer na segunda metade muito em função dos tipos de pista.

Mas era o primeiro ano de uma tecnologia nova, eles tinham acertado tanto no motor, quanto no chassi – e na sintonia entre ambas as fábricas. Na segunda temporada, a possibilidade de crescimento seria naturalmente menor e os outros diminuiriam a diferença, ainda mais com a chance de desenvolver seus propulsores ao longo da temporada.

Não é o que temos visto em 2015.

Atualmente, a Mercedes soma 383 pontos e tem as rivais mais próximas que há 12 meses – Ferrari tem 236 e Williams, 151, mas isso se deve muito em função da Red Bull ter saído da equação. Quando analisamos os números, impressiona como a Mercedes conseguiu aumentar sua vantagem.

O que mais salta aos olhos é a vantagem em corrida. Nas últimas 10 etapas do campeonato passado, ou seja, quando teoricamente os rivais já tinham tido tempo de corrigir os erros iniciais, apenas em uma ocasião – no GP do Brasil – a diferença superou os 30s entre a melhor Mercedes e o melhor rival. Nas 10 primeiras provas de 2015, isso aconteceu em três oportunidades.

Um dos fatores que explicam esse tipo de diferença, algo que não vimos nos anos de domínio da Red Bull, são os pneus que, ao serem mais resistentes, permitem que o carro mais equilibrado demonstre mais o seu poder. Mas todos estão calçados com a mesma borracha.

O que preocupa os rivais – e não é surpreendente ver que estejam sendo discutidas mudanças que até colocariam em risco a evolução conquistada nos últimos anos em termos de ultrapassagens simplesmente para chacoalhar a relação de forças – é que a Mercedes segue evoluindo. O motor deu um passo importante no Canadá mesmo sem a utilização de nenhum token – e deve dar outro na Bélgica. E o fato é que a vantagem está se tornando grande demais para ser tirada sem uma ajudinha das regras.

A segunda briga é pelo vice-campeonato. Observando o que Ferrari e Williams fizeram até aqui, fica difícil para o time de Grove, mesmo contando com a expectativa de uma segunda metade melhor no campeonato, uma vez que o carro, pelo menos no papel, só deve patinar em Cingapura nas últimas nove etapas. O que temos visto é a confirmação da dificuldade que a própria equipe previa antes do início da temporada: a briga desigual de recursos com os grandes.

O modelo atual da Fórmula 1 privilegia as montadoras – o que não é coincidência, lembrando que o melhor momento financeiro da categoria aconteceu quando elas estavam investindo aos montes. E quando se tem Mercedes e Ferrari trazendo novidades para o carro em quase todas as etapas, concentrando-se no desenvolvimento contínuo em detrimento de grandes pacotes, o ritmo de evolução torna-se forte demais para uma equipe como a Williams que, apesar de ter deixado de ser time médio, ainda não pode atirar dinheiro pela janela fabricando peças sem a certeza de que elas trarão benefícios efetivos. Depois de muito tempo no ostracismo, o time de Grove está no caminho certo, isso é evidente, mas a ladeira agora ficou mais íngreme.

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