
São 2h40 da manhã e dois jornalistas que devem ter mais de 800 GPs em conjunto ainda estão discutindo sobre quem teve culpa no strike que mudou completamente a história do GP de Cingapura. Nem quando as gotas mais fortes começaram a cair ainda na formação do grid qualquer um de nós poderia prever aqueles primeiros metros tão dramáticos para a Ferrari, em um daqueles momentos que têm tudo para serem decisivos para o campeonato.
O inegável é que quem mais perdeu era quem tinha mais a perder. Sebastian Vettel provavelmente julgou mal os riscos de uma largada no molhado em Cingapura e, acreditando que só tinha o carro de Verstappen na esquerda, jogou seu carro com uma agressividade que não combina com quem tinha uma grande chance de fazer bem mais pontos que o rival em uma disputa maior, pelo título.
Kimi, no argumento de um dos jornalistas, era quem deveria ter evitado o toque porque era o único que sabia onde todos estavam. Mas há quem diga que você não é um piloto de corridas se não aproveitar um espaço que se abre a sua frente.
Mais impressionante ainda foi ver Lewis Hamilton escapando de tudo isso, mesmo escolhendo o lado de fora da primeira curva. “Eles desapareceram”, foi o ponto de vista do inglês, que ainda viu Vettel rodando na sua frente, já com o carro destruído. Daí em diante, o tricampeão usou toda sua maestria na chuva e não contou com uma Red Bull tão competitiva quanto o esperado, tanto no molhado, quanto no seco.
As razões para isso seriam, em parte, por um acerto mais voltado ao calor por parte do carro de Ricciardo, como ele explicou após a prova, e também ao fato da própria Mercedes render melhor com a pista menos quente.
O excesso de agressividade dos pilotos da ponta nos metros iniciais acabou dando a chance do meio do pelotão mostrar serviço, e o brigado quarto lugar de Carlos Sainz, seu melhor resultado da carreira e o melhor da Toro Rosso em mais de dois anos – e ainda com um pedal de acelerador que acabou quase no osso – merece destaque. E não deixou de ser irônico ver um Palmer passando Bottas, que mais uma vez ficou perdido por parte da corrida, no molhado, dias depois de se ver sem vaga na Renault para 2018.
Novamente, em uma corrida difícil, a exemplo de Baku, Lance Stroll foi quem conquistou os pontos para a Williams, e dessa vez Massa teve sua parcela de culpa pelos erros na classificação e uma escolha equivocada no início da corrida, ainda que a estratégia do time não tenha ajudado em nada.
Vendo seu campeonato ter virado de cabeça para baixo em três etapas, mas sofrendo a derrota mais dolorida justamente onde todos acreditavam em uma vitória até fácil, agora cabe a Vettel confiar que as novidades que a Ferrari introduzir daqui em diante, especialmente no motor, vão funcionar e diminuir a vantagem que a Mercedes mostrou especialmente de Silverstone para cá nas curvas de alta. E torcer para que o “milagre” que Hamilton pediu depois da classificação em Cingapura e que viu se concretizar em poucos metros em Marina Bay mude de lado em alguma das seis etapas que vêm pela frente.