Julianne Cerasoli

Muita calma com essa Honda

Motor Racing - Formula One Testing -  Abu Dhabi Test - Day One - Abu Dhabi, UAE

O novo motor Honda roncou alto, mas por pouco tempo em seus primeiros testes do retorno dos japoneses à Fórmula 1. Do lado positivo, o tempo de arrumar a casa – maior do que a Renault, que enfrentou o mesmo tipo de dificuldade na pré-temporada de 2014, por exemplo – do negativo, a pressão de estar vivendo dramas semelhantes aos rivais com um ano de atraso.

O que freou os testes foram problemas elétricos, o que pode significar praticamente qualquer coisa nas unidades de potência usadas na Fórmula 1 atualmente. Isso porque elas são chamadas assim, e não apenas de motor, porque a potência vem ao mesmo tempo do motor de combustão turbo e das unidades que transforma energia calorífica e cinética em energia elétrica. E é tudo tão complexo que mesmo sendo campeã do mundo com sobras, a Mercedes, viveu justamente um problema elétrico com Nico Rosberg na última etapa de 2014, o que dá uma ideia da complexidade dos sistemas.

O fato da parceria entre Honda e McLaren começar com um ano “de atraso” em relação aos demais tem seus pontos altos e fracos. Por um lado, os japoneses tiveram tempo para pensar suas soluções vendo o que os outros fizeram, como a abordagem da separação entre turbinas de entrada e saída do turbo adotada pela Mercedes. A própria equipe, também, tem mais experiência para apontar os melhores caminhos em termos operacionais.

Mas é claro que quem ‘colocou a mão na massa’ durante esse ano todo foram Mercedes, Renault e Ferrari, tendo enormes quilometragens em seus projetos, algo que a Honda não pôde fazer. E lembremos: os dois primeiros dias de testes dos japoneses tiveram menos voltas (5) do que as estreias dos rivais, mesmo se computarmos apenas as piores equipes de cada: nove voltas para a Red Bull-Renault, 60 voltas para a Sauber-Ferrari e 42 para a Williams-Mercedes.

O que é tão fundamental quanto difícil de precisar nesse momento é em que estágio a Honda estará quando os carros alinharem na Austrália. Será que o fato deles terem começado os testes antes que os rivais, que entraram na pista pela primeira vez no fim de janeiro, e o conhecimento – mesmo que somente empírico – sobre o que aconteceu durante 2014 seriam motivos suficientes para crer que esse motor estará apto a competir de igual para igual?

O fato é que o sucesso ou não da Honda em 2015 depende muito mais do quanto os japoneses vão conseguir evoluir até 28 de fevereiro, data da homologação dos motores, do que dos resultados em si dos testes de Abu Dhabi.

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