Julianne Cerasoli

Muito carro para pouco segundo

Chegou, passou e abriu
Chegou, passou e abriu

Ninguém duvida que a Mercedes ainda tenha uma vantagem bastante considerável em relação às rivais, mas, após cinco etapas disputadas em 2016, muitos movimentos têm sido observados na relação de forças entre as equipes atrás das Flechas de Prata. E isso não deixa de ser surpreendente, uma vez que as equipes têm investido mesmo com uma grande mudança de regras a caminho. Melhor para nós, que temos observado um grid tão parelho que nem mesmo os especialistas conseguem cravar quem está na frente de quem.

Na última semana, duas grandes publicações europeias – Autosport e Auto Motor und Sport – divulgaram o que consideram ser a atual relação de forças, com base em dados de GPS, tempos de volta e observação de pista. E chegaram a conclusões bastante distintas.

Os pontos pacíficos são a Mercedes na ponta, claro, e a ascensão da Red Bull, que hoje tem o segundo melhor carro, superando Ferrari e Williams. E, com a atualização que a Renault promete para Mônaco ou Canadá, que pode dar até 0s4 por volta, é de se pensar que Ricciardo e Verstappen podem dar trabalho a Hamilton e Rosberg em determinadas pistas. A não ser, claro, que a Mercedes encontre mais potência em seu motor – algo possível, ainda que seja uma tarefa mais difícil do que para a Renault.

A Ferrari como o terceiro melhor conjunto também é algo que se repete em ambas as listas, com uma ressalva: o carro italiano parece se dar melhor quando são utilizados compostos mais macios, uma vez que estressa menos a borracha durante a corrida. Em Mônaco, circuito em que a vantagem do motor Mercedes será menor – e com o chassi da Red Bull chegando perto do alemão – e com os pneus ultramacios entrando em jogo, temos motivos suficientes para prever uma disputa mais apertada, na qual a maneira como cada equipe trabalhar as pressões de pneu terá grande influência.

Do terceiro para trás, parece difícil apontar quem está melhor. A vantagem do motor Mercedes ainda conta a favor da Williams, mas seu chassi tem ficado para trás em relação até aos carros do meio do pelotão, algo que ficou mais claro no terceiro setor de Barcelona. Tanto, que a Autosport chegou a colocar o carro de Massa e Bottas como o sexto melhor do grid, atrás de Toro Rosso e McLaren. Já a Auto Motor und Sport vê o equipamento como o quarto melhor.

O fato é que as diferenças têm sido tão pequenas em classificação que fica realmente difícil julgar. No Q2 na Espanha, menos de 1s2 separaram o terceiro e o 16º colocados!

Com a maioria das equipes da Williams para trás sem muito dinheiro para desenvolver, ao mesmo tempo, o carro atual e o do ano que vem, a tendência é essa briga se manter acirrada, enquanto o planejamento dos times de ponta deve ser pautado pelos resultados até meados do ano.

Neste cenário, quem pode se aproveitar é a McLaren. O chefe da Honda deu uma declaração interessante recentemente, dizendo que, com 40 a 50 tokens, o motor chegaria no nível do Mercedes. É lógico que a conta não leva em consideração o que os alemães poderiam melhorar com mais liberdade no desenvolvimento, mas não deixa de ser uma boa notícia para quem espera ver as unidades de potência mais parelhas em 2017. Do lado do chassi, muitos já o colocam no top 5, ainda que o upgrade do GP da Espanha não tenha funcionado tanto quanto esperado.

Mas do teórico potencial da McLaren-Honda já temos ouvido falar há tempos, não é verdade? Com um nível tão alto na frente e uma disputa tão acirrada mais atrás, fruto da estabilidade das regras, o difícil está sendo comprovar todas as expectativas na pista.

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