
A coluna de 14 de janeiro adiantava: “Massa depende da Ferrari para sair de lá com a cabeça erguida.” Em seu último ano de contrato e vindo de duas temporadas abaixo da crítica, o brasileiro precisava de um carro equilibrado para buscar diminuir a diferença em relação ao companheiro Fernando Alonso e voltar a convencer.
A Ferrari não fez um bom carro. Longe disso. E Massa vem pagando por ser um piloto competente, que precisa ter o carro na mão para obter os resultados, ao lado de outro que caminha para colocar o nome na história. Alonso seria o primeiro a admitir que não é o mais rápido do grid, mas tem como especialidade aproveitar as oportunidades e, mesmo se o carro não ajuda, maximiza os resultados como ninguém.
Para piorar a situação, o projeto classificado como “difícil” da Ferrari peca pela inconsistência e a impressão é de que, pelo fato da equipe ter dado um carro praticamente novo para Felipe na Malásia, há certa dificuldade em fazer dois modelos iguais. Em meio à necessidade de usar os treinos livres para desenvolver o F2012, sobra pouco tempo para o brasileiro resolver seus próprios problemas.
Problemas que só aumentaram depois que Sergio Perez, um dos pilotos mais cotados para ocupar seu lugar por fazer parte da Academia de Pilotos da Ferrari, esteve perto de vencer na Malásia.
O discurso, tanto do próprio piloto, quanto da Ferrari, é de que a situação é a mesma de 2008, quando Massa também zerou nas duas primeiras provas, viu o então companheiro Kimi Raikkonen vencer a segunda corrida, e no final do ano perdeu o título por apenas um ponto.
Mas a história não é a mesma. Naquele ano, a Ferrari tinha o melhor carro do grid e a falta de pontos do brasileiro se deveu a circunstâncias, erros pontuais. Além disso, Massa vinha de boas atuações em 2006 e 2007. Aquele piloto que disputou o título até a última volta da última corrida pode até ser o mesmo, ainda que com a moral abalada especialmente pela ordem de equipe na Alemanha em 2010, mas já não conta com um equipamento tão equilibrado.
E a história diz que é na adversidade que os grandes mostram a cara, como Senna desafiando a Williams de Prost em 1993 ou Schumacher ganhando corridas com a péssima Ferrari de 1996. Massa não parece capaz de tanto. Depende de uma melhora dramática do carro para salvar seu ano e pleitear uma vaga decente para 2012. Caso contrário, Alonso seguirá fazendo a diferença e, ao mesmo tempo em que salva a cabeça do chefe Stefano Domenicali, afundará cada vez mais seu companheiro.
Coluna publicada no jornal Correio Popular, em 31.03