
O temor de que as restrições de combustível do novo regulamento dessem uma esfriada nas disputas durante as corridas acabou se dissipando nestas primeiras etapas, com motores eficientes e pilotos dando-se bem com os lift and coast da vida (técnica na qual tira-se o pé do acelerador antes do normal nas freadas). Mas o GP de Mônaco escancarou como a quantidade de combustível utilizada é parte importante da estratégia.
Desde o final do reabastecimento, em 2010, engana-se quem pensa que o carro larga com combustível suficiente para terminar a corrida com sua mistura mais potente/rica. Isso porque simplesmente esta não é a forma mais rápida de terminar uma corrida, tendo em vista o desgaste de pneus gerado ao se forçar 100% do tempo + peso carregado durante a prova. Cada time tem um cálculo, baseado nas características de seu carro/motor de qual seria o caminho mais rápido e quanto vale economizar combustível para chegar antes à bandeirada. É mais um “tapa na cara” daqueles que acham que corrida de carro é pé no fundo o tempo todo.
Quando o regulamento deste ano foi divulgado, esperava-se que essa tendência de abastecer um carro com menos combustível do que ele precisaria para completar a prova desapareceria, uma vez que as equipes já estariam obrigadas, por regulamento, a largar com até 100kg – até o ano passado, a quantidade era de até 160kg dependendo do circuito. Mas vimos logo nas primeiras etapas que não é assim. Tanto, que até os gráficos da transmissão mudaram das primeiras provas para cá.
Lembre que, na Malásia, a Williams aparecia gastando menos de 90% do combustível mesmo nas voltas finais? Não faria sentido um time economizar tanto a ponto do carro ficar pesado e perder velocidade no final, certo? A verdade é que o erro não estava no cálculo do time inglês, mas na maneira do gráfico ser apresentado. Explico: ao colocar a percentagem, levava-se em consideração que todos largaram com o peso máximo, 100kg. Não é bem assim.
A saída foi colocar o combustível gasto em kg. Assim, sabemos a quantidade gasta comparativamente, mas não sabemos o quanto falta para acabar. É isso que explica por que pedia-se para Rosberg economizar mesmo com ele tendo gasto menos da metade dos 100kg teoricamente disponíveis com mais de metade da prova percorrida em Mônaco: ele largou com bem menos que os 100kg.
É heresia pensar que as equipes vão divulgar por livre e espontânea vontade a quantidade de combustível exata com que largam. Afinal, isso faz parte da estratégia, assim como as paradas no box ou o composto com que um carro vai largar.
O que podemos observar é a luz vermelha que pisca na traseira do carro que está usando mapas de motor econômicos (ela é acionada automaticamente se o piloto está com 95% do pedal de aceleração apertado, a mais de 180km/h e observa-se uma redução a partir de 120KW no torque). É uma forma que a FIA encontrou de avisar os demais que pode haver um carro mais lento na pista. E acabou virando o último vestígio para tentar entender uma variável importante nas disputas de uma Fórmula 1 que tem um regulamento válido por um lado, mas complicado demais por outro.