A notícia da aposentadoria de Mark Webber me trouxe à memória um texto do blog, que reproduzo abaixo, de 14 de novembro de 2010, dia em que o australiano perdeu sua única chance real de ser campeão do mundo. Aquele momento diz muito sobre o piloto: mesmo liderando um campeonato na época em que os erros de Vettel eram mais comuns, reclamava da falta de apoio da equipe. No final das contas, errou em momentos decisivos e levou uma lavada do companheiro nas últimas provas.
No papel, Webber sempre foi um bom segundo piloto: rápido e relativamente consistente, mas não o suficiente para atrapalhar o número um. Nos bastidores, contudo, nem sempre foi assim e o apoio constante da mídia britânica, que o considera um piloto “da casa”, ampliou os ouvidos dados as suas queixas. De certa forma, só a boa relação com Mateschitz explica a longevidade de Webber na Red Bull, mesmo que Vettel e o australiano não se biquem há muito tempo.
Webber deixa a Fórmula 1 um tanto por baixo depois de duas temporadas e meia bastante apadagas. Mas, mesmo em seus dias de protagonista, chegou a encantar. Para relembrarmos estes momentos, segue o texto de 2010:
Como gols no futebol, pontos num campeonato de F1 têm o mesmo valor, do início ao final da temporada. Mas uma virada nos instantes finais tem um valor inestimável. E diz muito sobre um piloto.

Olhando superficialmente, é compreensível. Afinal, o australiano começou o ano com todos apostando que ele não seria páreo para o talentoso Vettel. A idade avançada – 34 anos –, a possibilidade desta ser sua grande chance e o fato da equipe estar moldada ao redor do alemão fazem com que a simpatia pelo azarão seja quase imediata.
Ainda mais após o GP da Bélgica, quando Webber, depois de colecionar belas apresentações na Espanha, Mônaco, Inglaterra e Hungria, assumiu a ponta do campeonato, com Vettel a mais de uma vitória de distância. O contraste com os erros dos rivais, principalmente do companheiro e de Alonso, salientava ainda mais sua regularidade. Para completar, nas corridas seguintes, seria Hamilton quem cederia à pressão e daria ainda mais razão para quem acreditava no título do australiano.
Mas, na parte final de campeonato, Vettel colocou ordem na casa. Nas últimas 5 provas, classificou-se à frente do companheiro, descontando 49 pontos na tabela. E deixou uma pergunta no ar: como um piloto que teve o melhor carro o ano todo, não sofreu com falhas mecânicas nas corridas e ainda não conseguiu fazer mais pontos que o companheiro pode merecer o mundial?
Vettel errou muito? Sim. Perdeu, por baixo, 62 pontos – 2 segundos lugares pela batida na Turquia e pela briga desnecessária na largada da Inglaterra, a vitória na Hungria desperdiçada por um drive through infantil, um 3º na Bélgica que virou colisão com Button e uma raspada no muro que lhe custou a pole e a vitória em Cingapura – porém, ao contrário do companheiro, sofreu com problemas mecânicos. Foram 4, contra nenhum de Webber, que lhe custaram nada menos que 66 pontos – Bahrein, Austrália, Espanha e Coréia.
Por outro lado, mesmo errando muito menos e sem as falhas técnicas que assombraram o companheiro, Webber ficou devendo na hora da verdade, o que ficou claro na classificação de Abu Dhabi. “Eu não conseguia tirar a performance minha ou do carro. Foi a 1ª vez que olhei para o pitboard e pensei: ‘não consigo chegar nesse tempo’”. Não poderia haver hora mais errada para isso. E perdeu sua chance de ouro pela 2ª vez. A primeira, aos 40’ do 2º tempo, na batida boba na Coréia. A segunda, aos 45’, ao ser mais de meio segundo mais lento que o companheiro na classificação mais importante da sua vida.