Julianne Cerasoli

Não adiantou mudar a tática

2354CEED00000578-0-image-151_1416520540789

Ele chiou tanto que ganhou a chance de ter uma estratégia diferente de Rosberg. Ou teoricamente ganhou a chance. O GP de Abu Dhabi parecia decidido até Nico começar a ter problemas de graining no seu segundo jogo de pneus e ver Hamilton tirar 7s em 15 voltas logo antes de sua segunda parada.

O alemão trocou seus pneus assim que entrou na janela de pit stop, mas o companheiro seguiu na pista. A ideia era alongar o stint e usar a borracha mais nova no final para tentar virar o jogo. Porém, como o desgaste não era muito alto, os engenheiros teriam de deixar o inglês bastante tempo na pista para que houvesse uma diferença significativa de rendimento no final, pois, segundo seus cálculos, é necessário um gap de ritmo de mais de meio segundo para um carro passar o outro. Mas, ao mesmo tempo, isso significaria que ele voltaria bem atrás e teria de tirar uma diferença grande.

Essa é a explicação do motivo de Hamilton ter demorado tanto a parar. Já a opção dos supermacios foi discutida entre os engenheiros e o piloto e a decisão final foi manter a tática de fechar a prova com os macios. Afinal, Lewis não tinha nenhum jogo de supermacios novo (ao contrário de Sebastian Vettel, que fez a prova com macio-macio-supermacio) e a equipe não acreditava que ele conseguiria fazer as 15 voltas em ritmo forte com o composto. Nas análises após a prova, inclusive, viram que o ritmo de Hamilton com os macios foi semelhante ao de Vettel com supermacio.

A terceira opção pedida por Hamilton seria não parar. Mas este é um clássico exemplo de algo defendido por Toto Wolff, de que se os pilotos decidissem a estratégia, a equipe perderia todas as corridas. Enquanto Lewis discutia com o engenheiro, seus tempos de volta eram 2s mais lentos que os de Rosberg, que o ultrapassaria com facilidade com cerca de 10 voltas para o fim.

O fato é que Hamilton perdeu em Abu Dhabi porque não tinha ritmo. Mas está com crédito de sobra depois das impecáveis 16 primeiras provas, suficientes para lhe dar um tri mais que merecido.

Falando em estratégia, fiquei imaginando durante a classificação por que a Ferrari estaria arriscando para economizar pneus supermacios. Afinal, a expectativa desde a sexta-feira era de uma corrida com duas paradas, usando dois jogos de macios. Será que eles estavam pensando em três paradas? Ou, menos provável, em usar dois jogos de supermacios? Nada disso, Raikkonen fez a tática padrão mesmo tendo um jogo novo de supermacio, que ficou guardado na garagem. Parece que os ares de Abu Dhabi não fazem bem aos estrategistas de Maranello.

Nas próximas semanas, vamos discutir aqui no blog os altos e baixos do campeonato e as expectativas para 2016. Queria saber de vocês qual foi a melhor e a pior corrida, quem chamou a atenção (positiva e negativamente) e o que vocês projetam para o próximo ano.

Sair da versão mobile