Julianne Cerasoli

Nem a McLaren é só motor

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Tem-se falado tanto em motores nesta pré-temporada da Fórmula 1 que nem parece aquela mesma categoria rendida às engenhosas soluções aerodinâmicas de Adrian Newey de 15 meses atrás. Mas será que ter a melhor unidade de potência significa tudo hoje em dia e o campeonato de 2015 será decidido apenas por quem desenvolver melhor seus turbos e unidades de recuperação de energia?

O desenho da própria temporada passada prova que não. Afinal, justamente a Red Bull de Newey (que já declarou ver a F-1 de hoje como um compromisso 50/50 entre chassi e motor) se mostrou tão boa do ponto de vista aerodinâmico que nem os cavalos a menos – segundo a Renault, 60 no final do ano – impediram que o time batesse todo o restante do grid. Menos a Mercedes.

Mercedes que fez toda a lição de casa correta, principalmente em termos de acomodação da nova unidade de potência.

São dois os pontos fundamentais do domínio da Mercedes – e que explica o banho que os alemães deram até em quem também tinha a mesma unidade de potência: primeiro, a inteligente e compacta suspensão dianteira, que melhorou o fluxo de ar para o restante do carro; segundo, a eficiência do sistema de arrefecimento permitiu uma traseira mais enxuta, chegando a níveis semelhantes aos de 2013 mesmo com uma necessidade de resfriamento muito maior.

Esses dois pontos também chamam a atenção na McLaren-Honda. Os japoneses são famosos por trabalharem bem com espaços pequenos, algo que se transferiu da cultura para a indústria automobilística do país. E parece que o mesmo se aplica em seu retorno à Fórmula 1, com uma parte traseira bastante enxuta. A suspensão – que segue sendo pushrod, vejamos o que a Ferrari faz – é incrivelmente achatada, visando trabalhar bem o fluxo de ar junto do novo bico, que ganhou ares de Red Bull, talvez sinal da influência do ex-braço direito de Newey, Peter Prodromou.

É óbvio que, se o motor Honda não andar, não tem aerodinâmica que salve. Mas colocar tudo na conta dos japoneses, alemães ou de qualquer outra montadora é ignorar uma parte que ainda é capital na Fórmula 1.

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