
Não há dúvidas de que a volta de uma luta direta entre pilotos de equipes diferentes é a grande notícia da temporada de 2017 da Fórmula 1. E não poderia haver notícia melhor do que essa. Mas havia um risco considerável de que isso virasse apenas momentâneo a partir do GP da Espanha. Isso porque havia certa desconfiança em relação ao poderio de desenvolvimento da Ferrari, cuja equipe técnica é composta por engenheiros pouco experientes. Para piorar, a Mercedes chegou a Barcelona com um carro claramente bastante modificado, e com soluções bastante ousadas.
Mas tanto a classificação, quando Hamilton e Vettel ficaram separados por apenas 51 milésimos, quanto a corrida, disputada nos detalhes até o final, mostraram que não há motivos para se preocupar: a disputa pelo título promete ser palmo a palmo. E com os dois pilotando em altíssimo nível.
Afinal, há quanto tempo não ouvíamos os pilotos ofegantes como Hamilton estava em Barcelona? Nas entrevistas após a prova, os sinais de cansaço tinham ido embora, mas o próprio piloto reconheceu que, há tempos, não tinha que suar tanto para ganhar uma corrida. Depois de perder a primeira posição na largada, Lewis foi colocado na seguinte posição pela Mercedes: vamos mudar sua estratégia para te dar chances de retomar a ponta, mas você vai ter que trabalhar duro, primeiro acelerando com os pneus médios, que vinham sendo uma caixinha de surpresas, e depois tendo que superar Vettel na pista.
E o inglês cumpriu o plano com perfeição, com destaque para a volta incrível de retorno aos boxes após a última parada. Não é qualquer coisa ter batido um Vettel que pareceu mais inteiro com a Ferrari pela maior parte da prova, e ainda mais também pilotando em alto nível e fazendo um trabalho irrepreensível até aqui pela Ferrrari. Inclusive, o que foi aquela pedalada para cima de Bottas?
Mas é aí que chegamos àquele que pode ser chamado de protagonista de luxo da prova. Vettel vinha andando em um ritmo alucinante, na casa de 1min24, até chegar no finlandês, que ainda não havia feito sua parada e andava em 1min27. Foram apenas quatro voltas atrás de Bottas, que defendia muito bem o lado de dentro da curva 1, mas elas custaram cerca de 9s para o piloto da Ferrari. Não precisa nem dizer que isso fez muita falta quando o alemão se viu dividindo a primeira curva com Hamilton na saída de sua última parada.
Enquanto isso, Raikkonen teve outro final de semana de altos e baixos, brigando com o acerto do carro. Curiosamente, o mesmo Bottas que já tirou pontos importantes de Hamilton, também lhe deu uma vantagem estratégica na luta com Vettel. E essa dinâmica promete ser tão interessante de acompanhar dentro das pistas quanto a já ferrenha luta do desenvolvimento fora delas.