Julianne Cerasoli

Número de ultrapassagens explodiu em 2016

A zona de DRS generosa de Xangai facilita as ultrapassagens
A zona de DRS generosa de Xangai facilita as ultrapassagens

Sabe-se lá o que estaremos achando de tudo isso daqui um ano, mas o fato é que a temporada de 2016 da Fórmula 1 teve quase o dobro de manobras em relação ao ano anterior e viu Max Verstappen bater o recorde de piloto que mais concorrentes superou ao longo de um campeonato.

Às vésperas de uma extensa mudança de regulamento, pode ter sido o adeus de uma era. Goste-se dela ou não. Desde a introdução dos pneus de alta degradação da Pirelli, em 2011, em conjunto com o DRS, o número de ultrapassagens voltou aos patamares da década de 1980 – um dos dados deste ano, inclusive, dá conta de que o GP da China foi o mais movimentado da história (ou pelo menos da história que se tem notícia em termos de ultrapassagem, desde 1982), com 128. Dezoito delas, inclusive, de Lewis Hamilton, que largou no fundo do pelotão e chegou em sétimo.

O gráfico mostra o claro salto entre 2010 e 2011 e o choque do ano passado, quando a fabricante, bastante pressionada pela sequência de estouros de meados de 2013 e que voltaram a assombrar em 2015, passou a fazer compostos mais duros e a adotar pressões mínimas mais altas.

Porém, a introdução do terceiro composto e a maior liberdade estratégica que isso deu às equipes voltou a pressionar o aumento do número de ultrapassagens, chegando às 866 em 21 corridas. E, ao que parece, é bom não desconsiderar o fator Verstappen, responsável por 78 manobras – e algumas das melhores do ano.

Lembrando que as ultrapassagens contabilizadas são aquelas que acontecem a partir da segunda volta entre carros efetivamente lutando por posição e excluindo-se problemas mecânicos. Contando apenas os ganhos na volta inicial, quem lidera a estatística é Fernando Alonso, com 41, em um ano no qual o procedimento de largada ficou menos automatizado.

E daí?
Muitos podem dizer que esses números pouco significam pois uma enorme parcela das ultrapassagens foi feita usando o DRS, mesmo que nem todas as manobras usando o dispositivo sejam fáceis – muitas vezes ele só ajuda a ‘descontar’ a dificuldade de seguir um carro de perto. Mas também há de se pensar que a possibilidade maior de um carro superar o outro muda completamente a visão dos próprios estrategistas e dos pilotos em relação à corrida. Se as ultrapassagens fossem quase impossíveis, a tática que prevê o número mínimo de paradas para completar uma prova sempre seria a melhor, e não é isso o que vemos. Dependendo do tipo de pista, muitas equipes arriscam outros tipos de estratégias e vimos provas no últimos anos em que pilotos com pneus novos vão passando todos e criando emoção nas voltas finais.

É lógico que o DRS infla os números e mascara comparações com o passado, quando o efeito aerodinâmico era menor e era relativamente mais fácil seguir um carro de perto. As máquinas, também, eram menos perfeitas – era possível errar uma marcha, por exemplo – e isso também influi. Além disso, as pistas tinham brita ao invés de asfalto também faziam com que os pilotos tivessem menos chance de ‘se safar’ e aí temos um cenário difícil de reverter sem novas soluções.

Uma delas seria o aumento da aderência mecânica, algo que veremos ano que vem com a adoção de pneus 25% mais largos. Porém, como junto disso vem uma série de mudanças aerodinâmicas, há quem diga – e o coro é encorpado – que números como os de 2016 vão rapidamente virar apenas uma lembrança.

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