
Fazia tempo que a McLaren não fechava uma primeira fila na ponta em um treino de classificação: desde o GP da Europa de 2009, há 44 GPs, com o mesmo pole da Austrália, Lewis Hamilton, e Heikki Kovalainen em segundo. Mas aqueles eram os tempos da classificação mascarada pela quantidade de combustível e não revelavam tanto quanto o resultado de Melbourne, que mostrou o bom trabalho do time de Woking neste início da temporada 2012. (Abrindo, literalmente, um parêntese, para quem ficou imaginando qual foi o último 1-2 em classificações na Ferrari, temos de voltar ao GP da França de 2008, há 66 corridas).
Fazia tempo, também, que os sábados não terminavam com ao menos uma Red Bull na primeira fila. São 24 GPs desde a corrida de Monza de 2010, a grande maioria com Vettel, que esteve entre os dois primeiros em nada menos que 23 delas!
E mais uma vez lembramos dos carros mais dominantes da F-1 quando falamos das marcas da Red Bull. Afinal, esta é a quarta sequência da história entre equipes que conseguiram colocar ao menos um piloto na primeira fila.
Equipe Corridas Sequência
Williams 35 1992 África do Sul – 1994 San Marino
McLaren 33 1988 Alemanha – 1990 Alemanha
Williams 26 1995 Austrália – 1997 Grã-Bretanha
Red Bull 24 2010 Cingapura – 2011 Brasil
Williams 17 1986 Portugal – 1987 México
A corrida também foi sintomática em relação a Jenson Button. Se tirarmos as vitórias na Brawn, com um carro bastante superior, o inglês nunca venceu saindo da pole. Ainda que a classificação não seja seu forte, o ritmo de corrida tem se mostrado avassalador desde a introdução dos pneus Pirelli: na F-1 desde 2000, o inglês marcou quatro das sete voltas mais rápidas na carreira do início de 2011 para cá, período em que venceu quatro das 13 corridas que tem no currículo. De quebra, o resultado o coloca na liderança do campeonato pela primeira vez desde o GP do Canadá de 2010.
Mas o pole na Austrália foi Hamilton, pela 20ª vez na carreira, número que o iguala a Damon Hill e Fernando Alonso.
Falando em Vergne, outro país bem representado é a França, que pulou de nenhum para três pilotos no grid em questão de um ano. No entanto, um dado curioso cerca os “três mosqueteiros”: Vergne, Grosjean e Pic são os únicos do grid que nunca marcaram pontos na F-1. À exceção do último, tudo leva a crer que consigam se livrar do placar zerado em pouco tempo.
Por outro lado, a Itália, pela primeira vez desde 1969, começou uma temporada sem um piloto sequer no grid. Curiosamente, os sobrenomes italianos parecem não sair de moda, com Massa, Senna, Di Resta e Ricciardo.
Do lado dos alemães, pode-se dizer ironicamente que um segundo lugar, haja vista a sequência impressionante de Vettel nos últimos 18 meses, beira um mau resultado. Ainda mais se lembrarmos que a Mercedes esteve fora dos pontos pela primeira vez em 13 provas e que Nico Hulkenberg mais uma vez abandonou antes de completar uma volta sequer em Melbourne.
Pode parecer pouco para muitos, mas a recém-renomeada Marussia, ex-Virgin, igualou seu melhor resultado da história, com um 14º lugar. É bem verdade que Glock e Pic foram os últimos a ver a bandeira quadriculada, mas chegar ao final da primeira prova com ambos os carros é um feito para quem não participou da pré-temporada com o carro novo.
Falando em novos nomes, Raikkonen se tornou oficialmente o primeiro piloto desde Nigel Mansell a correr por McLaren, Ferrari e Lotus. Olhando para trás, Jacky Ickx também o fez, mesmo com apenas uma prova pelo time de Woking, assim como John Surtees – que andou de McLaren enquanto o carro de sua equipe, a Surtees, não ficava pronto nos anos 60. No entanto, tendo em vista que a Lotus de hoje não é aquela dos anos 60 a 90, e sim a remanescente da Renault, pode-se dizer que o caminho do finlandês é praticamente inverso ao de Fernando Alonso, que correu pelo time francês antes de ir para a McLaren e a Ferrari.
Por fim, o resultado do GP da Austrália aumenta a vantagem, tanto em relação a pódios, quanto de vitórias, do quinteto Vettel, Webber, Hamilton, Button e Alonso. Há 17 GPs, somente os cinco sobem ao pódio, recorde histórico absoluto (confira os números completos), enquanto a sequência de vitórias divididas pelo quinteto chegou a 43 e está a 10 GPs de igualar o feito de Piquer, Senna, Mansell, Prost e Berger entre 1986 e 1989. Será que já dá para apostar pela queda dessa marca?