Julianne Cerasoli

O ano se desenha interessante para Vettel. E sem motivo para pânico

Para os alemães, o termo foi “poste”; para os ingleses, “pepino”. E logo a revolta de Sebastian Vettel em relação ao retardatário Kartikheyan, que na opinião dele – e dos comissários, que puniram o indiano – foi o responsável pelo toque que lhe tirou os 12 pontos de uma quarta posição consolidada na Malásia virou motivo para que, especialmente a imprensa britânica, começasse a especular que o alemão estava perdendo a cabeça ao ver seu reinado desmoronando.

Teve quem achou que o pepino não é bem Karthikeyan. Maldade...

Não é a primeira reação desproporcional de Vettel, que já chamou o companheiro de louco por manobra até parecida no GP da Turquia em 2010 – em ambos os casos, as opiniões se dividiram, mas acredito que o alemão poderia ter se esforçado mais para evitar o contato se não quisesse retomar a trajetória tão cedo. No entanto, que o acesso de raiva causado por uma frustração pós-prova não seja tirado de contexto. Afinal, ninguém melhor que o próprio Vettel, quinto colocado no ano de seu primeiro título até seis etapas do final, para saber que é cedo demais para perder a cabeça.

Que o alemão não reage bem mesmo à menor das derrotas já estamos acostumados a ver. Fechou a cara até um abandono com o campeonato decidido. E poderia ser diferente (o mesmo serve para vários de seus colegas) para alguém tão obcecado com a vitória?

É forçar a barra falar em desespero quando o alemão tem em mãos o carro que se mostrou marginalmente mais rápido em média de ritmo de corrida. É claro que melhorar em classificação ajudaria, principalmente para se livrar do tráfego das Mercedes no início das corridas, mas não há nada indicando que este é um campeonato perdido para a Red Bull. Muito pelo contrário: a expectativa é de que o ritmo de desenvolvimento nas fábricas seja tão importante quanto o de pista.

Mas é claro que Vettel já percebeu que não viverá a campanha sublime de 2011. A estranha supremacia repentina sobre Webber, contra quem lutou de igual para igual em 2009 e 2010 em classificações, se foi junto do escapamento soprado no difusor, cujas particularidades o alemão soube domar com maestria. Junto disso, o bicampeão tem reclamado de falta de aderência com o pneu macio, o que o obrigou a arriscar se classificar com os duros na Malásia. São problemas que ele terá de resolver internamente antes de começar a lutar com os pilotos da McLaren pelo título.

Ao menos nas duas primeiras provas, mesmo tendo se classificado atrás de Webber (sendo superado por 0s095 em média, comprovando o equilíbrio dos “velhos” tempos), Vettel passou 91 das 114 voltas disputadas até agora na frente – o australiano largou mal em Melbourne e foi ultrapassado logo após a relargada em Sepang. Nenhum motivo para pânico, portanto.

O que se desenha é uma condição na qual estávamos curiosos para vê-lo cedo ou tarde: já com todo o peso do bicampeonato e das expectativas externas e internas de sempre brigar por vitórias, terá de mostrar serviço no meio do pelotão, lidando com os pneus que não duram quando se luta por posição, com o carro que não é tão estável, com as dúvidas na estratégia. Enfim, sem os “superpoderes” do EBD e da pole rapidamente e competentemente convertida em sólida liderança. Mais uma das inúmeras e intrigantes questões que a temporada promete responder.

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