
Dia desses perguntei aos leitores do blog quem eles acreditavam que seria campeão primeiro: Sebastian Vettel na Ferrari ou Fernando Alonso na McLaren. E a balança pendeu para a reedição da parceria do espanhol com o time inglês.
Não é por acaso. É difícil ver na Ferrari um sinal claro de reação após a perda da chance de usar seu potencial como equipe de fábrica para dominar uma Fórmula 1 mais voltada à capacidade mecânica do que aerodinâmica. Na verdade, o que 2014 escancarou é que a aerodinâmica não era o único ponto fraco da Scuderia, que não conseguiu se organizar para fazer uma unidade de potência que funcionasse a contento, sofrendo com problemas básicos como funcionamento do MGUH e o controle do calor do turbo e terminando a temporada atual pior do que começou em termos organizacionais.
Sim, os italianos vivem a expectativa do primeiro projeto sob comando da dupla ‘importada’ da Lotus ano passado, James Allison e Dirk de Beer, e têm condições de ter um carro melhor em 2015, e os problemas enfrentados no campo da unidade de potência não são tão difíceis de resolver – mesmo em meio a uma troca no comando, com a saída de Luca Marmorini, substituído por membros de sua própria equipe – mas a distância razoável para a ponta vista especialmente em 2010, 2012 e na primeira metade de 2013, se transformou em abismo.
A lógica aponta uma evolução – e é muito provável que Vettel comece sua jornada em Maranello à frente de Alonso e possa, junto de Raikkonen, sonhar mais alto do que o par de pódios conquistados pelo time em 2014. Isso sem contar que ambos já se mostraram pilotos sensíveis a carros desiquilibrados: ou seja, o sucesso da dupla depende muito do tipo de equipamento que lhes for entregue.
Mas o grande desafio de um sucesso imediato da Ferrari é sua falta de continuidade. Se nos anos da tríade Montezemolo-Domenicali-Alonso a teimosia em se reinventar aerodinamicamente a cada ano acabou cobrando seu preço, agora a ameaça vem das decisões aparentemente imediatistas do novo homem forte da Fiat, Sergio Marchionne, que parece mais preocupado que a Scuderia saia ganhando no turbilhão político por que passa a F-1 do que na pista.
Por outro lado, se há um fator que conta a favor de Vettel em seu novo desafio, é o tempo. O alemão sabe muito bem que o projeto vencedor de seu ídolo Schumacher em Maranello começou a ser traçado sete anos antes do primeiro título do alemão na Scuderia, quando Jean Todt chegou para reorganizar um time que vivia situação ainda pior do que hoje.
Mas ah se ele pudesse roubar um pouco da eficiência da Red Bull… em 2014, parte da eficiência aerodinâmica do RB10 sequer era utilizada, sendo ‘desperdiçada’ quando a equipe buscava compensar a perda pela falta de velocidade de reta da PU da Renault – fala-se em 60cv, ou 15km/h. Andando com menos asa, o carro perdia em equilíbrio.
Em 2015, os tetracampeões precisam aproveitar o último projeto com participação direta de Adrian Newey. Mesmo que Ricciardo já tenha demonstrado que não se intimida com falta de equilíbrio em seu carro, o que é um alento para o time, as possibilidades de voltar a ser o time a ser batido dependem diretamente da Renault.