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O dilema de Alonso

Ele é tão bom na pista quanto em tomar decisões equivocadas na carreira e, encara, neste momento, uma das escolhas mais difíceis de sua trajetória. Fernando Alonso está sedento por um novo título e tem a dura missão de saber qual equipe poderá lhe dar o melhor pacote para competir com as Mercedes.

E, nesse jogo de adivinhação, Alonso nunca se mostrou tão craque quanto é ao tirar o máximo de seu carro nas corridas. Depois de conquistar seu segundo e último título mundial em 2006, acertou na mosca ao trocar a Renault, que entraria em decadência a partir do ano seguinte, pela McLaren. A partir daí, se perdeu nas apostas.

Com problemas com a direção da McLaren, rompeu seu contrato após apenas uma temporada, mesmo estando a bordo de um dos dois carros dominantes da época e tendo as portas fechadas por pelo menos dois anos na grande rival do time inglês, a Ferrari. Se lembrarmos que o espanhol perdeu o campeonato de 2007 por apenas um ponto mesmo tendo a direção da equipe contra si, é de se imaginar que, com mais paciência, o asturiano poderia ter conquistado o tri há muito tempo.

Em 2008, tinha proposta da Red Bull, que não havia obtido nenhum resultado expressivo até então, mas vinha se reestruturando para virar o jogo em 2009, quando ocorreria uma grande mudança nas regras. O potencial que Lewis Hamilton, por exemplo, viu na Mercedes, Alonso falhou em reconhecer na equipe que se tornaria tetracampeã mundial.

Ele optou por permanecer duas temporadas na Renault, esperando pela Ferrari. Quando chegou em Maranello, o time já não era sombra daquele que conquistara seis títulos em nove anos.

O espanhol poderia ter sido campeão por duas vezes com a Ferrari, é verdade. Foram detalhes que tiraram os títulos de 2010 e 2012. Mas dizer que o time italiano apresentou, de 2010 para cá, plataformas seguras para se tornar o carro a ser batido, é exagero.

Agora que a nova chefia em Maranello fala em ‘plano de 5 anos’ para retornar ao topo, Alonso sente a pressão do tempo. Aos 33 anos, ele não pode se dar ao luxo de esperar.

O acordo com a Ferrari termina no final de 2016, mas contratos de F-1 são feitos para serem quebrados. Fala-se de tudo, desde McLaren, apostando nos altos investimentos da Honda em seu retorno, até Lotus, onde viraria soberano sob a bênção de Flavio Briatore. Seu maior problema é que nenhuma opção plausível no momento é certeira. E mais um erro pode fazer com que um dos grandes pilotos de sua geração acabe entrando nos anais da Fórmula 1 com menos pompa que deveria.

 Coluna publicada no jornal Correio Popular

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