As últimas duas provas evidenciaram um acerto da Ferrari na concepção do carro que ainda não tinha ficado evidente. Sabe-se que a principal característica do F10 é cuidar bem dos pneus e foi esse o detalhe que permitiu as vitórias de Alonso em Monza e Cingapura.
Os engenheiros italianos enxergaram que as corridas seriam decididas no 1º stint. Como os carros do Q3 têm que largar com o pneu com que classificam – e, fora raras exceções, sempre entre os carros mais lentos, usam o pneu macio – o ideal é que gastem o mínimo possível, tirando o máximo de rendimento, desse tipo de borracha.

Com um carro que desgasta pouco os pneus moles, fica mais fácil jogar na estratégia. Isso porque, se estão atrás, como em Monza, conseguem dar uma volta a mais e sair na frente, pois ainda têm lenha pra queimar. Se estão na frente, como em Cingapura, têm menos degradação e conseguem ficar pelo tempo necessário na pista, até os pneus dos rivais acabarem.
Juntando isso à dificuldade de se ultrapassar, é algo que faz a diferença em situações limítrofes. Alonso teria outra vitória, no Canadá, também no mesmo estilo, mas ali retardatários impediram que ele desse a volta a mais que o colocaria na frente de Hamilton.
O problema é que isso só funciona quando ambos os carros estão próximos e gera um grande obstáculo: o rendimento com pneus duros. Se o carro é pensado de uma forma que não coloque muita temperatura nos moles, logo, terá dificuldade em aquecer os duros, como vemos nessa volta onboard de Massa – que tem mais dificuldades nessa área – logo após seu pitstop do GP da Alemanha.
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Voltando à situação de uma corrida apertada: já que a ultrapassagem é difícil, depois de algumas voltas de sofrimento, o pneu chega à temperatura ideal e a posição não corre mais risco. Foi assim em Cingapura. Mas, se o ferrarista tiver que correr atrás do prejuízo depois da parada…
Cada equipe tem sua filosofia em construir o carro. Os Ferrari geralmente são mais robustos que as suaves – e belas – McLaren que, não coincidentemente, são mais ágeis. É interessante ver como isso faz diferença quando a competição fica mais acirrada.