Julianne Cerasoli

O fundão

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A matemática não falha: com 22 pilotos no grid, mais da metade sairá dos GPs sem pontuar. Mas determinar como ficarão as últimas colocações parece ser uma missão difícil no momento. Com Mercedes e Ferrari na frente, e um segundo pelotão composto por Williams, Red Bull, Force India e, provavelmente, Toro Rosso, as posições nos pontos parecem completas para o início da temporada. Até agora, McLaren e Renault aparentam estar em melhor posição para se aproveitar de quebras ou acidentes, tanto pela performance nos testes, quanto pelos investimentos de Honda e da fábrica francesa, que colocam os dois times em outra realidade. Mas a pergunta mais difícil de responder é: quem vai segurar a lanterna?

Ao contrário de 2015, quando começou o ano esbanjando confiabilidade e conseguindo colocar seus dois carros no top 10 logo na primeira prova ao lucrar com os problemas dos demais, a Sauber inicia 2016 em uma posição mais frágil. Afinal, as altas quilometragens obtidas na pré-temporada indicam que mais carros chegarão ao final do GP da Austrália e, consequentemente, haverá menos oportunidades de resultados ‘fora da curva’ como o quinto lugar de Felipe Nasr em Melbourne.

E também os rivais ao redor do time suíço, que não teve tanto tempo de pista quanto gostaria nos quatro dias em que testou o novo carro, estão mais fortes do que há um ano. Com um chassi atual e motor Mercedes, a Manor foi a equipe que mais cresceu em relação ao GP da Espanha de 2015, com 6s2 de melhora na comparação dos melhores tempos com o mesmo composto. Para se ter uma ideia, tal ganho colocaria o time com certo conforto no top 10 mas, é claro, as demais equipes também cresceram.

A questão é que esta evolução dos demais foi, em média, metade do que a Manor conseguiu, o que inclui a Sauber. E, com mais 3s em relação ao ano passado, o time alcançaria o fundo do pelotão. A expectativa, portanto, é que eles deixem o papel de figurantes finalmente após seis anos de história.

Após impressionar ao atingir o mesmo nível de quilometragem da Manor logo em sua primeira pré-temporada, a Haas também não dá sinais de que será um carro ‘de outra categoria’, como era a ex-Marussia ano passado. Na verdade, o melhor tempo do time com os pneus macios ficou no mesmo décimo da Sauber, que usa o mesmo motor Ferrari. Variáveis como combustível, configurações de motor e condições da pista sempre interferem, mas não deixa de ser uma demonstração de que o carro pode andar razoavelmente rápido.

Sem uma candidata óbvia a nanica, parece que até o Q1 guardará suas emoções a cada 90 segundos.

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