Kimi Raikkonen e Ferrari, quem diria, estão próximos de reatar um casamento que nunca foi daqueles, digamos, “nascidos um para o outro”. Porém, caso confirmada a notícia, tão curiosa quando a mea-culpa italiana e o desprendimento do finlandês, é a forte mensagem dada a Fernando Alonso. Se o velho discurso de que “a Ferrari é maior que seus pilotos” soava como mera retórica nos últimos anos, agora a história é outra.
A chegada de Raikkonen é, de certa forma, o pior golpe que o espanhol poderia sofrer em Maranello. A liderança conquistada na pista e muitas vezes gerida com pouca perícia fora dela agora está ameaçada. Mesmo se o finlandês não chegar ganhando corrida logo de cara ou demore um pouco a se adaptar, a contratação de um campeão mundial e que vem em excelente nível desde sua volta à Fórmula 1 após o exílio causado pela própria Ferrari representa o fim da era imperialista do bicampeão em Maranello.
Seja por motivos que fogem ou não ao seu controle, Alonso não conseguiu transformar a Ferrari em uma equipe vencedora como o último que reinou absoluto por lá, Michael Schumacher. Mas isso seria o início de seu fim ou uma chance de recomeço?
Tudo depende de sua reação frente à contratação de um piloto tão forte quanto ele. Assim como Vettel é cobrado a disputar títulos com equipamentos menos dominadores antes de carimbar sua ficha entre os gigantes do esporte, a “mancha” da carreira de Alonso é não conseguir lidar com um piloto competitivo sob o mesmo teto. Quem sabe possamos ver a partir da próxima temporada se a autodestruição de 2007 foi mais reflexo da pouca idade ou é, de fato, uma questão de caráter.
Por isso, ao mesmo tempo em que a chegada de Raikkonen seria um grande golpe, também abriria uma enorme oportunidade para Alonso convencer aqueles que o apelidam de prima donna, choronso ou coisa do tipo se ele sabe lutar uma guerra como os samurais que tanto admira.
Para a Ferrari, no papel, seria uma escolha certeira. Ambos têm qualidades muito semelhantes – e que serão valorizadas pelo próximo ano: são daqueles que sabem o momento de atacar, que usam com inteligência os sistemas do carro, além de terem a bagagem de terem passado por uma série de regulamentos distintos. Na pista, estilos não muito diferentes, sendo dois exemplos raros de pilotos que se dão bem com carros dianteiros, característica dos últimos modelos da Ferrari. Em teoria, não poderia ser melhor. Mas que seria um teste decisivo para Alonso, isso não há dúvida.
