Julianne Cerasoli

O novo stop and go – que já deu errado – e os números de Mônaco

Motor Racing - Formula One World Championship - Monaco Grand Prix - Sunday - Monte Carlo, Monaco

A primeira prova em que a Marussia pontuou teve uma boa dose de drama e mostrou um ponto falho no novo regulamento esportivo. Afinal, o que é esse stop and go de 5s que pode ser cumprido após a prova?

Trata-se de uma novidade nas regras deste ano. O stop and go de 5s tem duas diferenças importantes em relação ao stop and go de 10s e ao drive through: primeiro, não precisa ser cumprido até 3 voltas depois de sua confirmação; segundo, pode ser pago junto de um pit stop normal.

O procedimento é o seguinte: quando o piloto recebe o stop and go de 5s, pode pagá-lo em seu próximo pit stop. Ele tem que ficar 5s parado sem que ninguém encoste no carro e, depois disso, a troca de pneus pode ser feita normalmente.

Caso o piloto não vá mais fazer pit stops, os 5s serão adicionados ao tempo final.

Mas o caso de Bianchi não foi tão simples. O francês recebera um stop and go de 5s por ter alinhado na posição errada no grid. E sua única parada foi durante o período de Safety Car. Foi isso que causou a confusão, pois a regra proíbe que punições sejam pagas enquanto o Safety Car estiver na pista.

Mas e se a única parada do cidadão coincidir com a entrada do SC? O regulamento não responde isso diretamente, mas a leitura dos comissários foi entender que a punição não fora paga e os tais 5s foram adicionados ao tempo final do francês.

Ainda bem que não foi o suficiente para tirar os dois primeiros pontos da Marussia depois de 83 GPs de existência, somando a época de Virgin. E olha que pontua-se até o 10º colocado desde 2010 justamente por causa deles e da Caterham, que segue zerada apesar de ter igualado seu melhor resultado da história – 11º – também em Mônaco.

Enquanto isso, lá na frente…

Foi uma tarde quase perfeita para Nico Rosberg: saindo da pole pela sexta vez na carreira (mesmo número de Emerson Fittipaldi), vencendo em Mônaco pela segunda vez – algo que só outros 13 pilotos na história conseguiram – igualando o número de conquistas do pai na carreira (5) e de pódios (17), liderando todas as voltas… só não deu para completar o primeiro grand chelem da carreira devido à ‘intrusão’ de Kimi Raikkonen, que fez a volta mais rápida da prova.

Volta rápida, inclusive, que sempre foi uma marca registrada do finlandês, terceiro colocado na história no quesito. Ele soma 40, uma a menos que Alain Prost (detalhe: os dois têm exatamente o mesmo número de largadas). No topo da lista, está Michael Schumacher, com 77. Mas o ano tem sido sofrível até aqui para Kimi: na verdade é o pior desde 2004, quando o melhor resultado até a sétima prova fora um oitavo posto.

Voltando aos vencedores, o resultado significou que a Mercedes é o primeiro carro a liderar todas as voltas das seis primeiras etapas desde a McLaren em 1988 – que perdeu a ponta pela primeira vez só na oitava corrida – e a primeira equipe a conseguir cinco dobradinhas seguidas desde a Ferrari em 2002.

Falando em Ferrari, após um GP de Mônaco marcado por quebras, o time é o único que não abandonou por falhas mecânicas até aqui. Uma das vítimas de Monte Carlo foi Valtteri Bottas, que deixou de pontuar pela primeira vez no ano. Esta lista agora só tem Rosberg, Alonso e Hulkenberg.

Já Daniel Ricciardo – que fez o 100º pódio para a Austrália, uma semana após o país perder Jack Brabham, seu maior expoente no esporte – e Romain Grosjean terminaram um GP de Mônaco pela primeira vez em suas carreiras, depois de três tentativas. Pastor Maldonado, por sua vez, jamais viu a bandeirada, após 4 anos de F-1. Culpa do número 13 escolhido pelo venezuelano, diriam os mais supersticiosos.

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