
Com a Fórmula 1 voltando a ter uma briga entre duas equipes depois de um bom tempo – mais especificamente, depois do bololô gerado pelos pneus na primeira metade de 2013, a temporada de 2017 teve, em 11 etapas, mais reviravoltas do que em três anos. E cinco pontos cruciais explicam por que a primeira metade foi assim – e ajudam a entender o que nos espera nas nove etapas restantes.
5 pontos que definem o campeonato de 2017:
- Preparação dos pneus: Não é mais o desgaste que tira o sono dos engenheiros, mas sim as sensíveis variações no rendimento de cada um dos compostos dependendo de sua interação com o ambiente. E, quando pensamos que os circuitos são diferentes, têm asfaltos diferentes e as sessões são disputadas sob diferentes tipos de clima, dá para ter uma noção da enorme gama de possibilidades que isso abre, especialmente em classificação, onde todo detalhe faz diferença. Isso explicou por que tivemos alguns altos e baixos difíceis de explicar, mas alguns padrões interessantes têm surgido: a Ferrari consegue se aproximar mais quando está mais quente, ainda que a Mercedes tenha um conjunto, no geral, superior. E, quando está difícil encontrar aderência no W06, Bottas tende a bater Hamilton.
- Primeiros metros das corridas: Com as variáveis estratégicas mais travadas devido ao menor desgaste dos pneus, fazendo com que a grande maioria das provas tivesse apenas uma parada nos boxes, os pilotos se viram obrigados a arriscar mais nos primeiros metros – e, com os carros com maior downforce deste ano e, consequentemente, sofrendo mais o efeito da turbulência, isso também quer dizer expor-se mais ao erro. Não coincidentemente, vimos largadas excepcionais que acabaram sendo decisivas, mas também toques até mesmo entre os líderes.
- Filosofias diferentes: Focando no duelo Mercedes x Ferrari, é interessante ver como decisões tomadas ainda ano passado no projeto influenciam na briga. Ainda que a tendência seja de convergência a cada pacote de desenvolvimento, a opção ferrarista por um carro mais curto ainda faz diferença em circuitos travados, como ficou provado na Hungria, enquanto a Mercedes é mais estável e superior nas curvas rápidas de raio longo.
- Segundões. Ou nem tanto: Quando a temporada começou, a expectativa é de que Raikkonen continuasse cumprindo seu papel de somar pontos para o mundial de construtores e trabalhar para Vettel, enquanto Bottas teria um ano de afirmação na Mercedes. Mas, ainda que não se esperasse que o finlandês fizesse feio, suas performances vêm surpreendendo positivamente e gerando um problema que, muito provavelmente, a Mercedes não achava que teria. Com 169 pontos, contra 88 de Hamilton, tendo tido uma quebra, ao contrário do companheiro, e sendo o piloto que mais pontuou nas últimas seis etapas, o ex-Williams não pode ser tratado como segundão. E não vai ser, pelo que a Mercedes demonstrou na Hungria. Mas até quando?
- Carros no limite: Uma das vantagens de se ter uma briga entre duas equipes diferentes é a necessidade de ambas usarem tudo o que podem de seu equipamento, algo que ainda não tinha acontecido sob esse regulamento, que é todo calcado em durabilidade. Não coincidentemente, chegamos à metade da temporada com Vettel já, há tempos, pendurado e usando o quarto turbocompressor, e as duas Mercedes tendo sofrido trocas não programadas de câmbio, mostrando que a confiabilidade pode ser decisiva para o campeonato.