Em uma temporada de F-1, disputa-se dois campeonatos: pilotos e construtores. Quem vai para a pista tem que somar pontos para seus patrões e fazer melhor que seu colega de trabalho. Estão nas mãos dos chefes, que querem tudo, menos que ambos tirem pontos do time. Está na cara que uma hora todos esses comprometimentos serão colocados à prova.

Esportivamente, o ideal é liberar os companheiros para lutar na pista e dar a ambos a mesma oportunidade. Nas primeiras provas, isso dá certo, mas à medida que o campeonato vai se afunilando, algumas verdades começam a aparecer. Foi assim há duas semanas na Red Bull, quando a equipe deixou clara a preferência por Vettel. Foi assim ontem na Ferrari. Será assim em breve na McLaren.
A interferência da equipe no campeonato de pilotos é tão cruel quanto inevitável. É provocada pela contradição de ter dois pilotos com os mesmos chefes tentando um campeonato para si e outro para eles. É ruim para a imagem do esporte que os italianos, mais uma vez, tenham agido de forma descarada, mas é ingênuo pensar que isso um dia deixou – ou deixará – de acontecer.
Publicado em 26.07.2010 no jornal Diário do Povo