Julianne Cerasoli

Os desafiantes vêm a cavalo

GP MALESIA F1/2015
Provavelmente nem Vettel esperava um início tão promissor. Mas quanto tempo levará para chegar ao topo?

Nem Lewis Hamilton, nem a Mercedes. O grande destaque deste início de temporada da Fórmula 1 tem sido quem mais decepcionou ano passado. A Ferrari demonstrou ritmo na Malásia para ao menos igualar, na segunda etapa do campeonato, a campanha de todo ano passado. E colocar-se como a ameaça ao domínio dos alemães no futuro.

É bem verdade que esse era o papel que se esperava dos italianos desde a mudança do regulamento, em 2014. Afinal, era o momento em que a aerodinâmica, calcanhar-de-Aquiles da equipe desde a limitação dos testes em pista, em 2009, perdia força em favor do motor. E o fato da equipe ser uma das únicas, junto da Mercedes, a desenvolver ’em casa’ seus propulsores, permitindo que houvesse uma sinergia maior no projeto, dava motivos suficientes para acreditar que os tempos de vacas magras ficariam para trás.

Porém, o ‘pasto’ ficou ainda mais seco. Em 2014, a Ferrari viveu sua pior temporada desde 1995, com apenas dois pódios. Depois de aprender com alguns erros básicos na concepção de seu projeto (e prometo post sobre o que mudou na Ferrari neste ano), o cenário é promissor. Na primeira etapa, na Austrália, Sebastian Vettel já conseguiu chegar entre os três primeiros. Neste final de semana, o ritmo dos italianos surpreendeu até a dupla da Mercedes.

Incomodar os dominadores da última temporada é a aposta do chefe, Maurizio Arrivabene. Depois dos primeiros sinais positivos, o italiano inclusive reviu os objetivos para a temporada. “Nossa meta, no começo, era superar a Williams e a Red Bull. Agora temos de começar a ficar um pouco mais convencidos e reduzir a distância com o pessoal da Mercedes”, afirmou. Antes do início do campeonato, o dirigente declarara que “correria descalço nas montanhas de Maranello [sede da equipe, na Itália]” se a Ferrari vencesse quatro corridas neste ano.

De fato, pensar em vitória depois de ter chegado a mais de 30s do vencedor Hamilton em Melbourne é bastante otimista no momento, mas a promessa é crescer no decorrer da temporada. O quanto será possível tirar da diferença ainda é uma incógnita e é bem verdade que, na sexta-feira na Malásia, vimos a Mercedes ainda na frente mesmo com Hamilton dando apenas 20 voltas, em uma grande demonstração de força. Mas é fato que a Ferrari tem mais condições de chegar lá do que qualquer equipe cliente. A McLaren seria outra candidata, mas precisará de tempo para seu projeto.

A evolução de uma equipe com tanto poderio econômico vem em má hora para a Williams, que buscava se firmar como segunda força. Por isso, Felipe Massa cobra que sua equipe continue desenvolvendo o carro. “Se pudermos melhorar dois décimos a cada corrida isso pode mudar a situação, especialmente quando se tem uma briga tão apertada. Estamos lutando com um time com grandes recursos”, salientou o brasileiro. Ele sabe com quem está lidando.

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