Ontem falava sobre a necessidade da Ferrari ter um líder dentro do cockpit. Mas essa é só uma maneira de vencer. Historicamente a maior rival dos italianos, a McLaren não poderia trabalhar de maneira mais diferente. Ao invés de dar poder aos pilotos, os ingleses preferem tirar ao máximo suas responsabilidades, dando mais ouvidos aos engenheiros e simuladores.
O grande exemplo disso é a completa dependência de Hamilton em relação a seu pitwall. Vimos, especialmente neste ano, em que as estratégias são mais reativas que no passado, o inglês questionar a decisão da equipe, mas depois dela ser tomada – como na Austrália, quando berrava “quem decidiu parar de novo? Foi uma péssima idéia” – ou propor saídas equivocadas – como a de fazer uma 2ª parada em Abu Dhabi.
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Lembrando que Hamilton é cria da McLaren desde os 13 anos e, se nunca foi estimulado a participar desse tipo de decisão, é porque isso convém ao estilo da equipe.
Outro grande exemplo disso aconteceu na semana passada, quando os ingleses escalaram o reserva Gary Paffett para os testes com os pneus Pirelli, sendo a única equipe a não usar os titulares. A justificaria seria de que o piloto da DTM, tendo andado no teste para pilotos jovens e no simulador no ano todo, estaria em melhores condições de dar informações relevantes.
Por mais que o time de Woking tenha sempre tido grandes pilotos, a hierarquia sempre foi muito clara: quem manda é Ron Dennis, e sua abordagem pragmática faz com que os dados sejam priorizados em detrimento do feeling do piloto. Isso vale, tanto para o desenvolvimento e acerto do carro, quanto para as decisões na pista.
Há quem possa perguntar: e Button, não bancou colocar slicks antes de todo mundo na Austrália e ganhou a corrida por isso? Sim, o inglês entrou no pit indo contra as ordens do pitwall, que lhe afirmara que a pista ainda estava molhada, mas reconheceu que o fez mais porque seus pneus intermediários estavam acabados que por certeza de que era o momento adequado para arriscar. No mais, é outro que mais ouve do que participa das decisões e veste muito bem a camisa do time.
É confiar neles faz sentido. A equipe conta com dois times de estrategistas, um dentro do box e outro na fábrica, na Inglaterra. É o chamado Mission Control, composto por cerca de 15 pessoas, que analisa todos os dados de telemetria, GPS e faz simulações a toda volta do que aconteceria se chovesse, se tivéssemos um Safety Car… A teoria é que, sem a pressão de estar in loco no final de semana de corrida, seja possível tomar melhores decisões.
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É um sistema que, além de eficiente, serve para evitar conflitos internos entre os pilotos e, de fato, na 1ª parte da temporada, a inteligência estratégica da McLaren se sobressaiu em relação à velocidade da Red Bull, enquanto, na 2ª, foi a liderança de Alonso na Ferrari que predominou. Ou seja, são duas formas válidas de se trabalhar. O grande motivo para a queda dos ingleses foi o desenvolvimento e acerto do carro. Mas esse é assunto para um futuro post.