Julianne Cerasoli

Os injustiçados

O embate entre Sebastian Vettel e Fernando Alonso é logicamente aquele que chama mais a atenção, já que vale o campeonato. Afinal, mesmo em momentos diferentes da carreira, ambos buscam a afirmação do terceiro título mundial, número que acabou se tornando mágico na história da categoria. Ganhar por três vezes o título sempre separou os grandes dos bons pilotos, e é isso que o alemão e o espanhol buscam nestas duas últimas etapas.

Mas eles não são os dois únicos grandes nomes do campeonato. E é uma pena que a disputa hoje tenha se tornado exclusividade de dois homens quando Kimi Raikkonen e Lewis Hamilton pilotaram em um nível tão alto quando Vettel e Alonso.

Os avanços de Raikkonen foram freados pela falta de rendimento da Lotus. É bem verdade que a equipe evoluiu enormemente em relação ao ano passado, em que conquistou dois pódios – foram 10 neste ano – mas também não teve equipamento à altura das performances do finlandês, único a completar todas as provas do ano, sendo 17 das 18 disputadas até agora nos pontos. Mesmo as falhas em classificação no início do ano, que podem ser colocadas na conta da readaptação à Fórmula 1 após estar fora por dois anos, foram superadas. Aos domingos, Kimi foi perfeito.

Outro que deu show foi Hamilton. Depois de uma temporada 2011 pra lá de errática, o inglês teve performances irretocáveis e maximizou seus resultados, tanto em classificação, quanto em corrida. Pena que sua equipe lhe deixou na mão em inúmeras ocasiões. Talvez seu único erro de julgamento tenha sido comprar a briga com Maldonado no GP da Europa, quando assumiu um rico desnecessário – algo que há tempos é sua marca, para o bem e para o mal.

Se, por um lado, é de se lamentar que Raikkonen e Hamilton estejam fora da briga, por outro isso só valoriza a disputa entre Vettel, Alonso e suas equipes. No campeonato mais imprevisível da história recente da Fórmula 1, com nada menos que oito vencedores diferentes, o alemão pôde contar com o excelente nível de desenvolvimento da Red Bull para recuperar uma vantagem que parecia definitiva há cinco provas, e o espanhol contou com uma equipe que, embora nunca tenha lhe dado o melhor equipamento, pelo menos foi competente no acerto, na estratégia, nos pit stops, e teve um carro que nunca lhe deixou na mão.

Por essas e outras, se me pedissem hoje para fazer uma lista dos melhores pilotos da temporada, teria imensa dificuldade não apenas para definir os dois, mas também os quatro primeiros. E vocês, já têm sua lista?

Sair da versão mobile