Julianne Cerasoli

Os insurgentes: as chances de Lotus, Force India e Sauber

Motor Racing - Formula One World Championship - Spanish Grand Prix - Race Day - Barcelona, Spain

A meta é “dar uma de Williams”. E a realidade? As equipes que mais sofreram com a união entre a má gestão da Fórmula 1 e o aumento dos gastos por conta do novo regulamento têm um ano importante pela frente depois de viverem realidades distintas em 2014. Force India, Lotus e Sauber são as outsiders e vivem uma sinuca de bico.

Apesar de se falar muito da má divisão do dinheiro dos direitos de imagem, resultado dos acordos unilaterais fechados por Bernie Ecclestone nos últimos anos, o grande empecilho para que um esporte que alavanca bilhões consiga se manter política e economicamente estável é o chamado Grupo de Estratégia, que define as mudanças na categoria. Dele, Lotus, Force India e Sauber estão excluídos (teoricamente, a Toro Rosso também, mas o time é menos sensível a isso por ser financiado pela Red Bull).

Seus interesses, portanto, ficam em segundo plano, dificultando sua gestão. E cada um vem reagindo de uma maneira.

Dos três, a Lotus é ao mesmo tempo a grande incerteza e a grande esperança. O time já dava sinais de que entrava em declínio no final do ano passado, quando sofreu uma debandada de profissionais – mais notadamente, a dupla de projetistas, James Allison e Dirk de Beer, que foram para a Ferrari – devido à falta de dinheiro. A falta de recursos – em grande parte aplicados no carro que foi competitivo até o final de 2013 – também atrapalhou o projeto do carro deste ano. Somando estes fatores à unidade de potência deficitária da Renault, vimos um time cair do quarto ao oitavo lugar.

A entrada dos petrodólares de Maldonado deve ter amenizado a situação para o projeto de 2015 e o time terá motores Mercedes ano que vem. Além disso, os problemas aerodinâmicos do E22 foram encontrados em meados deste ano, o que dá tempo hábil para Alan Permane e companhia acertarem a mão desta vez.

Mas a Lotus terá de trabalhar duro para superar a Force India, que tem a seu favor a continuidade. A grana está longe de sobrar no time de Vijay Mallya, mas é interessante como a equipe está conseguindo se manter com bons resultados na Fórmula 1 de uma maneira bastante profissional. Além da parceria com a Mercedes e o comando técnico de Andrew Green, a Force India conta com dois pilotos de competência comprovada – e esse pode ser outro diferencial em relação à Lotus. O que pesa contra o time, contudo, é a tendência a não manter o ritmo de desenvolvimento ao longo do ano, algo que pesou muito em 2014, quando havia, até julho, uma chance considerável de superar a McLaren.

Por último – em 2014 e, salvo uma grande surpresa, em 2015 – vem a Sauber. Problemas financeiros, uma unidade de potência equivocada da Ferrari e a pior dupla de pilotos do time nos últimos anos explicam o vexame de passar uma temporada inteira em branco depois de fazer 57 pontos em 2013. E não há sinais claros de que o cenário mude da água para o vinho em 2015: novamente o time está projetando um carro tendo de segurar os gastos, depende do que a engenharia de motores da Ferrari vai conseguir melhorar e tem dois pilotos com pouca experiência. Pesando o que Lotus, Force India e Sauber fizeram neste ano e a expectativa do que pode melhorar, é mais coerente esperar  que a equipe de Felipe Nasr consiga se reestruturar melhor para 2016. Isso, se o Grupo de Estratégia não aprontar mais nenhuma das suas.

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