Que ninguém se engane com a pouca quilometragem de Sebastian Vettel no último dia de testes e a consequente lanterna: ainda que não tenha testado o poderio do RB8 em uma volta lançada e tenha perdido tempo para colocar o novo pacote na pista, o ritmo de corrida da Red Bull continua fazendo inveja aos rivais.
Ainda que os long runs indiquem pouca degradação e as imagens mostrem um carro bastante equilibrado, é prematuro identificar se há ou não uma vantagem nos moldes de 2011. O certo é que a McLaren vive situação bastante diversa em relação ao ano passado, quando teve de rever seu escapamento de última hora. Em 2012, a equipe vem trabalhando com a evolução dos conceitos usados no carro antigo, que nas últimas provas mostrava-se o único capaz de andar junto dos Red Bull, mesmo que em determinadas condições – no Brasil, por exemplo, foi presa fácil. Mas, no momento, falar em McLaren na frente é mais uma esperança do que uma realidade concreta.
Há quem possa perguntar de onde vem tanta preocupação com a Ferrari, tendo em vista que a equipe fechou o último dia de testes em Barcelona com o segundo tempo. No entanto, uma das preocupações é justamente o fato de que, mesmo fazendo uma simulação de classificação, a equipe ainda fica atrás da Lotus – lembrando que as melhores marcas de McLaren, Mercedes e Red Bull foram feitas em sequências mais longas de voltas.
Mas o principal alvo de Maranello nestas semanas – e, como expliquei aqui, não me refiro apenas às duas semanas até o GP da Austrália – é a consistência. Além dos pneus demonstrarem uma degradação maior que os rivais diretos em simulações de corrida, o carro é instável, o que seria relacionado aos materiais diferentes usados na composição de algumas peças – comportando-se de maneira inesperada, esses materiais estariam causando incompatibilidades entre dados de túnel de vento e da pista.
Outro problema estaria na interação com a solução mais convencional adotada para o escapamento, após provavelmente a primeira ideia (mostrada aqui) ter sido rechaçada pela FIA, embora não haja confirmação disso. Há quem aposte que os italianos estejam a 0s8 da Red Bull no momento, desconsiderando possíveis soluções encontradas daqui em diante. Há quem veja isso como uma opinião otimista.
Outro carro que parece mais rápido em uma volta do que consistente em corrida é a Mercedes, ainda que Schumacher, Brawn e companhia jurem de pés juntos que os problemas de degradação de pneus ficaram em 2011. Isso promete ser um fator importante no ano dos alemães, agora que a Lotus, embora não se saiba o quanto os quatro dias perdidos pela falha estrutural na suspensão traseira tenham afetado o desenvolvimento do carro, dá indícios de crescimento.
E por que é a Mercedes que tem de se preocupar com a Lotus e não a Red Bull, por exemplo? Em um ano sem grandes revoluções de regulamento, é de se esperar que as equipes permaneçam mais ou menos onde estavam no ano passado, pois todas vão se desenvolvendo em um ritmo parecido ao das rivais mais próximas (que costumam, não coincidentemente, ter orçamentos próximos também). A Williams é outro exemplo disso: é difícil que pulem de lutar para escapar do Q1 para habitués do Q3, como o resultado do último treino poderia indicar.
Isso é um ponto de partida essencial para não nos prendermos muito aos tempos, que pouco revelam sobre o real rendimento dos carros. Dia desses li uma frase que diz bastante sobre esse momento da temporada: “o grau de conhecimento de uma pessoa ou meio sobre a F-1 é inversamente proporcional à atenção que esta/e dá para os tempos dos testes.” Fiquemos com as impressões de alguns carros mais equilibrados que outros e aguardemos pela verdade em Melbourne.