Julianne Cerasoli

Paciência

Motor Racing - Formula One World Championship - Monaco Grand Prix - Wednesday - Monte Carlo, Monaco

A tabela do mundial aponta que Fernando Alonso foi responsável por mais de 78% dos pontos da Ferrari até aqui, número bem superior à média de 68% da época em que o espanhol dividia a equipe com Felipe Massa. Dentro dessa conta, há uma parcela de mérito do próprio bicampeão, cuja principal qualidade é maneira como identifica os momentos-chave do final de semana para maximizar seus resultados. E, do outro lado do box, uma dificuldade de adaptação de Kimi Raikkonen.

E alguns azares também. Das seis etapas disputadas até aqui, houve três finais de semana em que Raikkonen andou de igual para igual com Alonso. Na Malásia, enquanto a pista esteve seca, andou com ritmo até ligeiramente superior. Na Espanha, acabou ficando com a estratégia mais rápida no papel, porém mais lenta na prática, e foi ultrapassado com três voltas para o final. Em Mônaco, levou lavada na classificação, mas vinha fazendo uma corrida sólida, com grande chance de pódio, até encontrar Max Chilton pelo caminho.

Resultados

  AUS MAL CHI BAH ESP MON
Raikkonen 7 12 10 8 7 12
Alonso 4 4 9 3 6 4

 

  Raikkonen Alonso
Placar em classificação 2 4
Dif. Média em classificação +0s645  
Voltas à frente em corrida 87 278

Os números, portanto, não contam toda a história dessa disputa interna na Ferrari. Mas também é verdade que o rendimento de Kimi ainda está aquém do que ele pode, como reconheceu o próprio diretor técnico James Allison. Um exemplo recente, contudo, mostra que é prudente dar mais tempo ao finlandês.

Sua situação lembra a de Lewis Hamilton em 2013, seu primeiro ano de Mercedes. A exemplo de Raikkonen, muito se falava que o inglês tinha problemas de freios, que era de marca diferente ao que ele estava acostumado na McLaren. Mas perguntei a ele sobre isso e Lewis explicou que a questão era mais ampla:

“Fiquei muito tempo na McLaren, então todo ano o carro era feito para mim e era muito confortável para mim, podia colocá-lo onde quisesse. Neste ano, eu tive muita dificuldade e não consegui atingir meu potencial. Houve boas corridas, mas, mesmo nestas, eu poderia ter ido melhor. Se eu estivesse feliz no carro, seria muito diferente. Ano que vem, terei muito mais influência. Não vou pilotar o carro do Michael [Schumacher], mas sim o meu.”

Dito e feito. O carro atual da Ferrari começou a ser pensado ainda em 2012, quando a presença de Raikkonen sequer era cogitada. Na própria experiência inicial do finlandês no time italiano, demorou uns bons seis meses para os resultados se tornarem mais consistentes – tão consistentes que Kimi acabou campeão. Melhor, portanto, não duvidar que ele pode dar a volta por cima.

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