Julianne Cerasoli

Parece simples, mas não é

Motor Racing - Formula One World Championship - Italian Grand Prix - Preparation Day - Monza, Italy

O GP da Itália será palco de mais um capítulo da cada vez mais quente batalha entre Nico Rosberg e Lewis Hamilton, mas também será um jogo de xadrez para as equipes em termos de acerto. É fato que todos terão de usar configurações de baixa pressão aerodinâmica para não perder terreno nas retas – ainda mais neste ano, em que os carros estão ainda mais “soltos” devido ao regulamento – mas o quanto vale a pena sacrificar nas freadas?

Afinal, um carro com pouco arrasto também é um carro mais difícil de controlar e, ainda que Monza só tenha seis freadas, contornar as chicanes e as três curvas “de verdade”, Biassono, Lesmo e Parabolica com estabilidade é fundamental tanto para ter um bom tempo de volta, quanto para manter-se à frente de seus adversários na corrida.

Mas vencer em Monza não depende apenas do acerto. Parte pelo pit lane longo, parte pela ausência de curvas de baixa velocidade, a estratégia tem uma importância fundamental: ganha quem conseguir parar menos vezes sem, é claro, ter de diminuir demais o ritmo para poupar pneu.

Como a Pirelli traz a Monza seus compostos mais resistentes da escala – médio e duro – é muito provável que todos façam uma parada em situação normal. Porém, podem haver diferentes ideias em relação ao pneu com que se larga (abrindo a possibilidade para quem estiver nas primeiras posições fora do top 10) e o momento correto para parar. É possível que um piloto acabe antecipando sua parada para vencer alguma batalha pontuar com um undercut e sofra para se segurar no final.

Esta será uma decisão difícil para os estrategistas porque, tradicionalmente, é difícil ultrapassar em Monza e, como os carros já estarão usando acertos de baixa pressão aerodinâmica e asas bastante pequenas, o efeito do DRS não é tão grande. Portanto, caso não haja uma diferença considerável de motor, por exemplo, o jeito será correr o risco de passar por meio da tática.

Falando em DRS, como ele diminui ainda mais a pressão aerodinâmica, corre-se um risco incomum nesta temporada: ver carros batendo no limitador de giros. Como a partir deste ano a relação de marchas é fixa, os engenheiros tiveram de trabalhar mais longe do limite em comparação com temporadas anteriores. Porém, quem tiver uma relação mais curta, favorecendo as retomadas de velocidade, pode sofrer mesmo usando a oitava marcha em Monza e virar alvo fácil no final das retas. Vale lembrar que a adoção de uma nova relação de marchas pela Red Bull (é permitida uma troca por ano) foi um dos fatores que permitiu a vitória de Daniel Ricciardo em um circuito no qual, no papel, um bom rendimento do RB10 seria improvável.

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