Julianne Cerasoli

Perdidos

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Os pilotos têm seus motivos para reclamar. Afinal, são vários os sinais de que os dirigentes da F-1 estão completamente perdidos e desconectados em relação ao que eles mesmos querem para o futuro da categoria, o que só é amplificado por um sistema decisório arcaico e autoritário. Mas também têm de aceitar sua parcela de culpa.

Há anos cobra-se uma postura mais incisiva dos pilotos e tudo o que se ouve é que “é mesmo para todos”. Agora que todos se deram conta de que aquela categoria com a qual sonharam desde pequenos está perdendo a mão, iniciaram uma chuva de críticas, lideradas, até que enfim, pelos campeões do mundo.

Mas ainda é pouco. É evidente que o discurso dos pilotos é tão difuso quanto dos dirigentes. O próprio Lewis Hamilton disse que não atende aos pedidos do diretor de provas Charlie Whiting para discutir saídas para a categoria porque sabe que “Vettel é quem vai ficar falando o tempo todo na reunião”. Isso pouco depois de reclamar que a classe não é ouvida.

Outro problema é a falta de uma pauta clara. Parece existir apenas um consenso entre os pilotos, de que os carros precisam de mais aderência mecânica, preferivelmente vinda de pneus melhores. Afinal, eles querem sentir que estão acelerando ao máximo do começo ao final da prova.

É o ideal para eles dentro do carro, sem dúvida. Mas e para a Fórmula 1? Até que ponto isso apenas reforçaria a supremacia do equipamento em detrimento do fator humano?

Para completar o cenário delicado, nem mesmo quem tem a incumbência de estabelecer as novas diretrizes da categoria consegue entrar em consenso. A ideia de ter carros mais rápidos em 2017 – como se esse, aliás, fosse um problema essencial – tem esbarrado em duas frentes: há engenheiros que acreditam que se isso vier da aerodinâmica, ficará ainda mais difícil ultrapassar, enquanto a Pirelli já avisou que pode fazer um pneu melhor – ou seja, com a tal aderência mecânica pedida pelos pilotos – mas seus estudos também indicam uma queda no número de manobras.

O fato é que, como o diretor técnico da Williams, Pat Symonds, atestou, a F-1 não entende desse fenômeno chamado ultrapassagem. E, partindo desse pressuposto, qualquer mudança é um risco.

Com o desespero batendo à porta, a FIA mexe nas regras esportivas advertidamente, como no caso da nova classificação, que sofreu mais reviravoltas em um mês do que o campeonato do ano passado inteiro teve dentro da pista. Por essas e outras, não é tempo de apenas cobrar mudanças, mas também de saber onde a F-1 quer chegar.

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