Julianne Cerasoli

Personagem do GP da Grã-Bretanha – e o fator Maldonado

Para o GP da Grã-Bretanha, escolhi um personagem que não teve um de seus melhores finais de semana. Sergio Perez é um bom exemplo daqueles pilotos que acreditam que poderão ter tudo quando chegam ao circuito na quinta-feira, mas que saem sem nada no domingo.

Difícil culpar o pobre Checo. Afinal, o quinto lugar de Kamui Kobayashi no GP da Espanha e o bom rendimento do C31 nas curvas de alta davam a impressão de que os Sauber poderiam ir bem em Silverstone.

“Acho que é um circuito bom para mim. Espero que o carro seja muito competitivo aqui e estou com muita vontade neste final de semana. Estou muito confiante porque acho que será um GP muito forte para nós. Acredito que podemos lutar pela vitória”

No entanto, o fim de semana poderia ser tão negativo. Já na classificação, as coisas não saíram como o mexicano esperava. Perez esteve entre os primeiros durante parte da sessão, mas, na hora da verdade, fez uma opção errada e largou em 15º, após ter sido ajudado por punições do companheiro Kobayashi e de Vergne. O mexicano cometeu o erro de usar os intermediários após a interrupção do treino. Um engano muito grande para ser corrigido e tempo de se salvar no concorrido Q3.

“Foi uma pena, pois tínhamos velocidade para ir bem rápido, mas saímos com os pneus errados e tivemos muito tráfego na volta. Esse foi o problema principal”.

Porém, com a promessa de que o ritmo de corrida da Sauber seria muito melhor que o mostrado na classificação, lá se foi Perez em busca de um bom resultado. Cinco posições ganhas na largada e o sábado ruim parece ter ficado para trás. Uma ultrapassagem sobre Maldonado, outra sobre Hamilton e o mexicano, em sétimo, faz sua primeira parada com 11 voltas completadas.

A estratégia foi semelhante à de Vettel, que se mostrou acertada para se livrar do tráfego. Porém, logo ao retornar à pista, o mexicano foi abalroado por Maldonado, que também vinha com pneus frios e não calculou bem o quanto poderia forçar, por dentro na curva, para segurar a posição. A colisão e o consequente abandono acabaram com as chances do mexicano, que não mediu palavras contra o piloto da Williams:

“Pastor é um piloto que não respeita os outros. Isso é fato. Já estava na frente e, mesmo se não estivesse, ele deveria me dar espaço suficiente para não batermos, mas ele tentou me empurrar para o lado de fora. Não entendo a maneira como ele está pilotando. Realmente espero que os comissários façam algo, porque nas últimas três ou quatro corridas ele saiu do padrão.”

“Não é a primeira vez que ele estraga um final de semana meu. Ele fez o mesmo [com Hamilton] em Valência e eles deram um drive through, o que não acho que seja suficiente. O cara nunca vai aprender se eles não fizerem nada, porque ele é muito perigoso e pode machucar alguém. Todos se preocupam com ele. Pastor parace não saber que estamos arriscando a vida e não tem respeito nenhum.”

O falatório não deu resultados. Maldonado foi “punido” com uma multa de 10 mil euros e uma reprimenda, algo que foi introduzido em 2010 com a promessa de ser uma espécie de cartão amarelo, mas não deu em nada até aqui.

Isso nos leva a outra questão: Perez tinha todos os motivos para acreditar que caminhava para um bom resultado após virar a maré no domingo e ninguém pode culpá-lo por seu abandono. Será que Maldonado não está exagerando? Como pará-lo?

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