Julianne Cerasoli

Pisca-pisca

Motor Racing - Formula One World Championship - Singapore Grand Prix - Race Day - Singapore, Singapore

Foi-se o tempo em que a grande preocupação em termos de segurança era com possíveis explosões do tanque de gasolina, comuns especialmente em colisões nos anos 70. Com a adoção das baterias elétricas, foi necessário adotar um sistema de luzes para garantir que todos saibam qual o status das baterias: comissários de pista, mecânicos e, claro, os próprios pilotos.

Isso é necessário porque a fibra de carbono, material com que a carenagem dos carros de Fórmula 1 é feita, é condutora de energia. Portanto, se houver qualquer falha no sistema e ocorrer um escape de energia, é extremamente perigoso sofrer um choque: estamos falando de algo em torno de 120kW.

O sistema informa sobre o status do ERS (sistema de recuperação de energia), que é composto pelo ERS-K (que recupera energia cinética da freada, que é armazenada na MGU-K) e pelo ERS-H (que capta energia calorífica gerada pelo turbo) e está localizado logo abaixo da câmera posicionada no topo do carro.

São sete luzes instaladas de maneira a dar 360º de visibilidade e que pesam, combinadas, apenas 35g. Todas as equipes usam o mesmo sistema, fornecido pela empresa Melectronics e desenvolvido de maneira que funcione mesmo se todos os outros sistemas do carro falharem. De acordo com as regras, elas devem manter-se acesas por 15 minutos depois da unidade de potência ter sido desligada, além de aparecerem sempre que os carros param e no pit lane (o sistema é acionado quando o piloto aperta o botão que limita a velocidade nos boxes).

Luz verde: carro está seguro para ser tocado.

Luz vermelha: carro não está segundo para ser tocado.

Luz laranja: carro está utilizando a energia elétrica (ou seja, não está funcionando apenas como o motor de combustão). Vê-la piscando é bastante comum durante o procedimento de largada.

Há outro sistema de luzes implementado neste ano e que também é produto da nova unidade de potência: a luz vermelha que pisca na traseira do carro. Isso serve para alertar os pilotos que vêm atrás que o carro que vai à frente está usando um mapa de torque de economia de combustível.

Essa economia pode ser feita pelo próprio piloto, tirando o pé do acelerador antes da freada, mas também pode ser obtida limitando-se o torque por configurações que o piloto tem à disposição no volante – e usa em determinado momento em todas as provas. Chamou a atenção, por exemplo, como a luz vermelha traseira do carro de Alonso piscava enquanto o espanhol tinha uma verdadeira luta de foice com Vettel no GP da Grã-Bretanha.

Isso significa que a Ferrari estava funcionando com uma redução de torque de pelo menos 120kW, como informa a normativa técnica da FIA. “Se o sistema de administração de torque do carro decide entrar em modo de economia de combustível, a luz traseira vai piscar por um segundo para avisar o piloto que vem atrás. Isso é configurado para um carro que, quando está com 95% de acelerador aberto por mais de um segundo, mais rápido que 180km/h e sofre uma redução de torque de 120kW ou mais. O sistema foi criado porque são eventos controlados pela eletrônica, e não pelo piloto.”

São mais alguns detalhes desta complexa nova Fórmula 1 que passar despercebidos durante as corridas, mas que nos ajudam a entender um pouco mais sobre seu desenrolar.

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