
Eles até tentaram criar uma ação de marketing dizendo que era o arco-íris da Pirelli, mas os sete (na prática, seis, pois o superduro era só uma precaução) compostos adotados para 2018 – e especialmente os nomes, que tiveram que ser criativos, com direito até a eleição para escolher o título do hipermacio no fim de 2017, estavam mais confundindo do que ajudando. Para esta temporada, contudo, o problema está resolvido: três cores (branco, amarelo e vermelho) e três nomes (duro, médio, macio).
Para o espectador eventual ou quem não liga muito para essa história de composto de pneu, de fato tudo ficará mais simples e essa é a direção mesmo que a Fórmula 1 está tentando tomar.
Mas para quem se aprofunda um pouco mais pode ter complicado ainda mais.
Porque, obviamente, não serão apenas três compostos de pneu para todas as pistas do calendário, e sim cinco. Eles serão identificados por números, ou seja:
1 = antigo duro
2 = antigo médio
3 = antigo macio
4 = antigo ultramacio
5 = antigo hipermacio
Percebam que o supermacio desapareceu, o que é uma boa notícia. Ele foi selecionado para 16 das 21 corridas do ano passado e por várias vezes foi o “culpado” por provas monótonas. Afinal, como ele era muito resistente e seu rendimento não era muito pior que o ultramacio, valia mais a pena fazer um stint um pouco mais lento e ficar na pista só controlando o ritmo do que fazer uma parada a mais.
Mas os compostos não mudaram só de nome. A Pirelli promete maiores diferenças entre os compostos mais macios, e mais proximidade entre duro e médio (oops, 1 e 2) e médio e macio (2 e 3), sendo que o único composto que não foi alterado é o número 3 (ex-macio). Trata-se de outra jogada que deve ser benéfica para as corridas, uma vez que o duro era… duro demais.
Outro ajuste foi feito no composto hipermacio, que tinha a aderência desejada para um pneu de classificação de pistas de rua ou de asfalto liso, mas sofria muito graining. Para acabar com essa tendência, a construção do composto foi revista.
São todas boas notícias em teoria mas chamou a atenção a seleção conservadora para as primeiras corridas, feita na primeira semana de dezembro com base nos dados do teste realizado em Abu Dhabi logo após o fim da temporada. E isso tem uma razão por trás: a Pirelli resolveu aceitar o fato que as corridas vão mesmo ter uma parada só em sua maioria e vai parar de tentar, por meio da seleção de compostos, impedir isso.
Essa é uma mudança de paradigma para quem chegou à F-1 em 2011 trazendo pneus de alta degradação, que algumas vezes passaram do limite e simplesmente explodiram, chegaram literalmente na lona, etc. A ideia para 2019 é fazer pneus mais consistentes para permitir que os pilotos forcem o ritmo, sem aquela história (que dominou 2018) de pilotar com um delta em mente para economizar uma parada.
Assim, a temporada começa com os seguintes compostos. E já vou deixando apenas com os números para vocês (e eu!) irem se acostumando.
| GP | Seleção 2018 | Seleção 2019 |
| Austrália | 3-supermacio-4 | 2-3-4 |
| China | 2-3-4 | 1-2-3 |
| Bahrein | 2-3-supermacio | 2-3-4 |
| Baku | 3-supermacio-4 | 2-3-4 |