Desde o final dos anos 80, temos visto campeonatos que, ou ficaram na mão de dois pilotos da mesma escuderia, foram completamente dominados por apenas um ou, no máximo, ficaram restritos a duas equipes, sempre McLaren x Williams ou McLaren x Ferrari. Ano passado foi uma exceção, mas o domínio só mudou de endereço.
Em 2010, tivemos uma verdadeira briga entre 3 equipes. Enquanto a Red Bull era absoluta aos sábados, McLaren e Ferrari se engalfinhavam para ver quem seria a 2ª força e estaria à espreita para se aproveitar das brechas abertas por um time que não era tão imbatível aos domingos. Além disso, parecia que os touros sempre arrumavam um jeito de se complicar – não fosse isso, julgando a performance dos carros, a temporada poderia ser uma chatice só.

Fora a decepção de Massa – que já tinha 76 pontos de desvantagem em relação ao líder antes do GP da Alemanha –, isso fez com que tivéssemos 5 pilotos na disputa até a antepenúltima etapa e chegássemos a Abu Dhabi com 3 candidatos claros e um franco atirador.
Ao final dos treinos de sexta-feira, era sempre difícil apontar quem seria o time a ser batido no domingo, havendo uma dinâmica interessante entre os companheiros e entre os grandes rivais mais antigos. A Red Bull, claro, largaria na frente. Mas o que será que o carro ou seus pilotos aprontariam?
Como as diferenças de performance em relação os times médios não era tão grande como em anos anteriores, vimos os grandes nomes do campeonato em maus lençóis quando tiveram que abrir caminho e vimos erros não forçados de candidatos ao título que a era Schumacher nos fizera esquecer que eram possíveis.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=s1trisLFO0Q]
Esses ingredientes fizeram dessa temporada uma sequência de viradas. O que começou na pré-temporada como a promessa de um ressurgimento da Ferrari logo se transformou num show de regularidade da McLaren em oposição às oportunidades perdidas pela tecnicamente dominante Red Bull. Nas últimas 7 provas, as surpresas se acumularam. Depois do caos da Bélgica, muitos já definiram: seria um Hamilton x Webber. Nas provas seguintes, os rivais se alternavam, Alonso e Vettel cresceram, mas o australiano se manteve firme, ao mesmo tempo em que via o companheiro constantemente a sua frente. Finalmente, a pressão o abateu faltando 2 corridas e uma falha mecânica colocou a Ferrari novamente à frente. E quem esperava uma última etapa processual ignorou que essa seria a temporada das viradas.
Isso só foi possível graças ao extenso pacote de mudanças técnicas entre 2008 e 2009, que anulou o handicap dos times “de sempre” e permitiu que grandes cabeças, como Brawn – enquanto ainda era bancado pela Honda – e Newey pudessem desenvolver ideias que provaram-se eficientes. A julgar por seu corpo técnico, Williams e Renault – que conseguiu o mesmo em 2005, quando tinha o apoio total da cúpula da montadora – muito provavelmente estariam nessa briga, não fosse a falta de recursos. Como o cenário continua inalterado, podemos esperar um 2011 com um quadro semelhante. A não ser que alguém (e estamos de olho em Brawn novamente, agora com dinheiro alemão) encontre uma solução mágica para o banimento do difusor duplo e do duto aerodinâmico.