O processo decisório dos comissários era algo que precisava ser revisto. Num passado recente, punições bastante discutíveis – como as 5 posições perdidas por Alonso na Hungria em 2007, sem que o piloto fosse “incriminado” por qualquer artigo, ou a sequência de penas que Hamilton recebeu na 2º metade de 2008, ao mesmo tempo em que Massa era liberado do pit em cima de Sutil, em Valência, e a equipe era apenas multada – tiraram o foco da disputa na pista.
O ano de 2010 já começou com um ato de boa vontade: ex-pilotos fariam parte do corpo de comissários. Houve quem chiou quanto às nacionalidades dos convidados, em sua maioria britânicos, mas a pergunta é qual a medida de envolvimento que lhes é permitido.
Não dá para acertar sempre, e tivemos algumas polêmicas, porém, no geral, o resultado dessa novidade fez com que comissários deixassem as corridas fluírem e parassem de punir toda e qualquer tentativa de ultrapassagem que desse errado.
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E é engraçado como Hamilton está sempre envolvido nestas questões-limite entre o aceitável e o punível. Claro, ele é do tipo que arrisca e depois pensa. Tirou Webber da pista na relargada na China; cruzou a pista várias vezes para se defender de Petrov na Malásia; fez uma volta a mais que o previsto e se beneficiou do menor peso para fazer a pole no Canadá, cruzou a frente de Bruno Senna em Abu Dhabi como se estivesse sozinho na pista e ultrapassou o Safety Car em Valência. Tirando o último episódio, levou, no máximo, advertências, o que mostra que a ordem é deixar a corrida seguir.
Curioso, também, que outros envolvidos em polêmicas com os comissários foram Schumacher e seus discípulos, Vettel (que escapou da defesa exagerada na largada da Alemanha, mas não da lentidão atrás do Safety Car na Hungria ou do drive through – na minha opinião, injusto – na Bélgica) e Hulkenberg, o homem das defesas pesadas – que o diga Webber. Schumi pintou e bordou, principalmente em Cingapura, mas nessa nova ordem de considerar tudo acidente de corrida, só não escapou na Hungria. É outro que gosta de brincar com um limite.
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É lógico que ainda há muita política por trás das decisões. Os ferraristas vêem ligação entre o que aconteceu entre Valência e Inglaterra. Na prova espanhola, Hamilton levou um drive through (excessivamente demorado, não havia o que interpretar) e Alonso falou em “corrida manipulada”. A FIA, é claro, não gostou nada. Ao invés de punir disciplinarmente o piloto, deu-lhe um drive through na corrida seguinte, e ainda por cima durante o Safety Car, depois de ter garantido à equipe que julgaria a ultrapassagem do espanhol sobre Kubica apenas ao final da prova.
Quando a Red Bull dominava assustadoramente na Hungria, a distância que Vettel costumeiramente adota para o Safety Car foi considerada ilegal. Quando fez o mesmo em Abu Dhabi, não. E quando Webber, então líder da tabela, foi claramente prejudicado em Monza? Esse tipo de decisão mostra vestígios do que já foi feito em outros campeonatos. E o testemunho de Eddie Jordan à BBC de que seria difícil entrevistar Ecclestone logo depois das provas porque o dirigente gosta de participar das decisões dos comissários diz muita coisa. A aplicação de regras ainda não é tão objetiva, justa e criteriosa como deveria, mas pelo menos estão deixando os caras correrem.