
Já faz algumas semanas que Robert Kubica tem em suas mãos uma proposta para retornar à Fórmula 1 depois de sete anos, pela Williams. Mas o porquê da opção do time pelo polonês não é uma questão que tem resposta fácil ou unânime no paddock.
Kubica sempre foi um piloto muito respeitado tanto por seus pares, quanto pelos engenheiros. Fernando Alonso já disse várias vezes que o polonês é o melhor piloto com quem já correu, tendo inclusive vetado seu nome na Ferrari. E profissionais que trabalharam com ambos na Renault dizem que, no mínimo, uma eventual briga entre os dois seria apertada. Ou vencida por Kubica.
Mas esse era o piloto de antes de um acidente que poderia tê-lo matado e por pouco não lhe arrancou o braço ou aquele que desde que voltou a andar com monopostos – o que aconteceu apenas há poucos meses! – decidiu que estava pronto a retornar à F-1?
Muito se ouviu sobre os testes que Robert fez na Renault e na Williams. Os tempos em si não foram espetaculares, o próprio piloto saiu decepcionado com sua performance na Hungria (o que quem o conhece diz que não surpreende em nada por seu mau humor e pessimismo característicos), e seu tempo final acabou sendo pior que a comparação direta com Paul di Resta – ainda que há quem diga que o polonês, ao contrário do escocês, não fez uma simulação de classificação.
Porém, o destacado em todos os testes foi a evolução desde que pegou o carro pela primeira vez até o fim de cada dia na pista. Evolução sua, mas especialmente do carro em si. É difícil ter dados 100% confiáveis, mas fala-se em 1s do começo ao fim do teste com a Williams em termos de acerto, com velocidades de curva maiores do que Massa e Bottas conseguiram com o mesmo carro e no mesmo circuito em 2014 – ainda que as condições possam ter sido outras.
Mais importante, Kubica, como há 10 anos e como tem sido desde então, nos vários carros que foi chamado para desenvolver, deixou os engenheiros felizes.
E Massa, não deixava? Perguntei ao diretor técnico da Williams Paddy Lowe, se ele considerava o brasileiro um piloto desenvolvedor de carro. Ele disse que sim, pois “para desenvolver um carro o que o piloto tem de fazer é ser constante. O resto é trabalho dos engenheiros”. De fato, com o aumento dos dados à disposição, o feeling do piloto hoje tem papel menor, mas se Massa estava fazendo tecnicamente um bom trabalho, por que arriscar dar o carro a alguém que está há 7 anos fora e tem 30% dos movimentos do antebraço direito?
Massa deu a entender de uns dois meses para cá que estava sendo escanteado por Lawrence Stroll que, inclusive, paga o salário de Lowe. E talvez preocupe Kubica o fato de entrar em uma equipe em que não está muito claro quem manda. E sem saber muito bem qual será seu papel.
Para a F-1, é claro que o melhor é que o velho Kubica esteja de volta. Ele garante que suas deficiências lhe atrapalham muito mais no cotidiano do que no cockpit – e a única alteração é na borboleta de câmbio, pois ele só a opera do lado esquerdo – e quem o conhece diz que ele só voltaria com 120% de certeza de quem tem condições para isso. Para a Williams, é uma história que traria muita visibilidade em um ano no qual o time se colocou a dificílima meta do quarto lugar entre os construtores – lutando não apenas contra a Force India, mas também a McLaren e a Renault. E eles vão precisar de piloto.