Julianne Cerasoli

Porque Massa olha ao redor e fica onde está?

A dupla Alonso/Massa deve ficar por pelo menos 3 anos junta

A renovação do contrato de Fernando Alonso com a Ferrari até o final de 2016 está longe de revolucionar a situação de Felipe Massa na equipe. Afinal, as declarações de amor entre o espanhol e equipe já apontavam para esta direção há algum tempo.

Mas o anúncio é mais um daqueles indicativos do lugar que o brasileiro ocupa dentro do time. Enquanto seus contratos são negociados no máximo de dois em dois anos, mesmo que sejam renovados há seis – ao final de seu acordo atual, chegará aos mesmos sete anos de Ferrari que Alonso completará em 2016 – seu companheiro, em um ano de casa, ganha tranquilidade para mais cinco temporadas.

A diferença de tratamento fora das pistas é clara. Tão clara, convenhamos, quanto as discrepâncias no rendimento de ambos nestes 23 GPs de parceria: 16 a sete em posições de corrida, (cinco a 0 nas vitórias e 11 a cinco nos pódios) e 19 a quatro nas classificações (diferença média de 0s333).

É óbvio que o grande entrave no sucesso de Massa é a concorrência. O Alonso que hoje está perto dos 30 não é só um grande piloto. Não é o mesmo que, aos 26 e com dois títulos nas costas, jogou tudo para o alto quando não se sentiu valorizado na McLaren. Mesmo tachado de mau perdedor, assumiu junto da equipe o erro que lhe tirou o campeonato em 2010.

É lógico que o amor de Alonso tem a ver com o fato da Ferrari ser um dos dois grandes vencedores da categoria – com o agravante da outra porta, a McLaren, estar lacrada para ele. Não dá para prever o que acontecerá com a lua de mel se a Scuderia entrar em outra fase como os 21 anos sem títulos de pilotos de 1979 a 2000. E esse é o segundo problema de Massa.

Se o objetivo do brasileiro é ser campeão, para que insistir num time que, há três anos, limitou-se a correr atrás – com competência em 2010, é verdade – da concorrência?

É aí que o longo contrato de Alonso e a permanência de Massa se cruzam. A Ferrari pode não ser a mesma que dominou a categoria de 2000 a 2004 e fez bons carros em 2007 e 2008, mas ainda tem recursos para, por exemplo, alugar por um mês o equipamento da ex-Toyota para recalibrar seu túnel de vento. Fora isso, há McLaren – que ganhou um título de pilotos nos últimos 11 anos – e Red Bull. Em ambas as equipes há um entrave do tamanho de Alonso, só muda o piloto.

A Renault também não é uma opção para vencer já em 2012. Massa tem 30 anos, não pode ignorar o tempo, como Barrichello percebeu ao sair da Ferrari em troca da felicidade. Dá para entender porque Felipe até olhe ao redor, mas fique onde está.

Coluna publicada no Jornal Correio Popular

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