Toda classificação ouvimos as equipes justificando resultados ruins com a conversa de que pouparam pneus e sempre fica a dúvida: será que três voltas, uma tirando tudo do carro e duas mais lentas, fazem tanto estrago assim?
A resposta pode estar nestes dados, que relacionam a posição de largada com a média de chegada: o que conseguiram Webber, Kobayashi e Alguersuari – por três vezes – não foi ato de sorte ou coincidência: largar em 18º realmente é um bom negócio. Nessa posição, o piloto pode poupar os três jogos de pneus macios, ou seja, prolongar por três vezes seus stints – e rodar mais rápido, ainda que fracionalmente, com eles – e minimizar o tempo com o pneu mais lento.
É lógico que o piloto terá de ser decidido nas ultrapassagens e todo cuidado no tráfego é pouco, mas 18º é a posição que apresenta, digamos, melhor custo-benefício.
| Pos. largada | Média de pos. de chegada |
| 1 | 1.83 |
| 2 | 3 |
| 3 | 3.25 |
| 4 | 4.17 |
| 5 | 4.67 |
| 6 | 7.3 |
| 7 | 8.33 |
| 8 | 11 |
| 9 | 10 |
| 10 | 8.27 |
| 11 | 12.56 |
| 12 | 11.45 |
| 13 | 10.8 |
| 14 | 11.78 |
| 15 | 11.89 |
| 16 | 10.64 |
| 17 | 13.3 |
| 18 | 12.1 |
| 19 | 17 |
| 20 | 18.11 |
| 21 | 16.63 |
| 22 | 18.64 |
| 23 | 16.63 |
| 24 | 16.33 |
Justamente o contrário acontece do sexto ao nono colocado e isso é fácil de entender. Vendo a classificação do campeonato, fica claro quem os são cinco pilotos que repartem a maioria dos pontos. Do sexto em diante, são conjuntos carro-piloto que ficam vulneráveis justamente àqueles que economizaram pneus por não passarem para o Q3.
A anomalia do décimo também teria a ver com os pneus: muitas equipes usaram a estratégia de não fazer voltas no Q3 para poupar um jogo. Não é de se surpreender que uma das propostas da Pirelli para o ano que vem seja, ou diminuir a alocação de pneus, ou trazer pneus específicos de classificação. Afinal, os option são tão melhores, para treino e corrida, que muito pneu duro tem voltado novinho para a fábrica.