Julianne Cerasoli

Príncipe de Mônaco?

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Não foi da maneira como ele gostaria – e o próprio piloto foi o primeiro a reconhecer isso logo em suas declarações iniciais ainda no pódio – mas é um fato: Nico Rosberg, provavelmente o menos badalado dos pilotos que venceram provas nos últimos anos, se tornou o primeiro desde a era Senna a vencer o GP de Mônaco em três vezes consecutivas.

A primeira, irrepreenssível. A segunda, sob intensa polêmica após um erro, no mínimo, suspeito na classificação. A terceira, caiu no seu colo. Claro que ele estava lá, em segundo, pronto para aproveitar qualquer oportunidade que aparecesse. Mas caiu no colo.

Porém, se voltarmos no tempo, veremos que duas das três últimas vitórias de Senna em Mônaco também tiveram roteiros incomuns. E, 1991, o brasileiro foi perfeito. No ano seguinte, se aproveitou da falha de uma porca da roda da Willliams de Mansell e, em 1993, lucrou com os problemas (um erro e uma falha nos pits) de Alain Prost. Carreras son carreras, afinal.

É a 10ª vitória de Rosberg, que agora pertence a um seleto grupo junto de Senna, Michael Schumacher, Graham Hill, Alain Prost, Stirling Moss e Jackie Stewart entre os que venceram ao menos três vezes em Mônaco.

A Hamilton, coube contentar-se com sua sequência de largadas na primeira fila (14), e pódios (13). Falando nisso, a Mercedes esteve nas últimas 25 corridas entre os três primeiros, só atrás da Ferrari da era Schumacher.

Enquanto a equipe de fábrica brilhava, contudo, a Williams sofria, como já era esperado. Pela primeira vez no ano, nenhum dos pilotos chegou no Q3 e foi a primeira vez desde o final de 2013 que o time não pontua, encerrando sua melhor sequência da história, de 24 corridas.

Mas ao menos o time de Massa e Bottas espera dar um grande salto na próxima etapa, no Canadá. Kimi Raikkonen, por outro lado, está em situação complicada: é o único do grid a levar um 6 a 0 em classificações do companheiro Sebastian Vettel.

O GP de Mônaco marcou ainda a estreia do safety car virtual… por 30s. Esse, inclusive, pode ser sido um dos fatores que tiraram a vitória de Hamilton, mas veremos os detalhes ao longo da semana.

Na quarta-feira, estava na coletiva de Maldonado quando a pergunta de uma colega alemã me intrigou: ‘qual é seu segredo para andar tão bem em Mônaco?’, ao que ele respondeu que era a paixão. Logo pensei ‘o que Pastor fez efetivamente em Mônaco’. Sim, foram algumas boas voltas, boas classificações, mas nenhum resultado: em 2011, bateu com Hamilton; em 2012, com a HRT; em 2013, com a Marussia e, nos últimos dois anos, teve problemas técnicos.

O que me leva a pensar nos motivos pelos quais o próprio Hamilton não tem uma coleção de vitórias em Mônaco. Em 2007, houve toda aquela controvérsia e há quem acredite que ele foi privado de uma vitória para proteger Alonso; em 2008, venceu com um Safety Car que ele mesmo causou, na sorte; em 2009 (na classificação) e 2011, encontrou o muro; em 2010, não tinha um bom carro para o Principado; em 2013, errou o ritmo a ser adotado em um Safety Car e perdeu a chance de lutar pela vitória com Rosberg e, 2014, foi prejudicado no episódio da classificação com Rosberg. Não por acaso, como ficou óbvio nesse final de semana, mesmo antes da corrida, essa sina monegasca é uma grande frustração para ele.

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